Economia

O segredo que eletrodomésticos gigantes não querem que você saiba…

Linha de eletrodomésticos compactos Electrolux para cozinhas de apartamentos pequenos
Electrolux reduz tamanho de fogões e geladeiras para atender apartamentos compactos brasileiros.

A Electrolux está encolhendo sua linha de produtos — e a culpa é do metro quadrado caro. Apartamentos compactos forçaram a gigante sueca a repensar o que entra na cozinha brasileira.

O vice-presidente de marketing da empresa confirmou: a era do fogão de seis bocas e da geladeira side-by-side está com os dias contados para a maioria dos lares urbanos.

O fim do “quanto maior, melhor”

Dados do setor imobiliário mostram que unidades abaixo de 45 m² representam fatia crescente nos lançamentos das capitais. Em São Paulo, ultrapassaram 60% do total em 2023.

Não há espaço físico para eletrodomésticos convencionais. A resposta da indústria? Produtos multifuncionais, empilháveis e com pegada reduzida.

O que muda na prática

  • Fogões: Modelos de 4 bocas dominam; versões de 5 e 6 bocas viraram nicho
  • Geladeiras: Capacidade média caiu de 450L para 350L nos mais vendidos
  • Lava-louças: Versões de 8 serviços (compactas) crescem 2 dígitos ao ano
  • Forno + micro-ondas: Combinados 2-em-1 substituem aparelhos separados

Mas o efeito mais relevante aparece em outro setor.

Oportunidade disfarçada de problema

Menos volume por unidade não significa menos faturamento. O ticket médio sobe: consumidores aceitam pagar mais por tecnologia que economiza espaço — convecção, vapor, conectividade.

Marcas que ignorarem a transição correm risco real de perder prateleira no varejo especializado.

O que observar daqui pra frente

Lançamentos imobiliários de 2024/2025 trarão cozinhas ainda menores — algumas sem área de serviço. A próxima onda: eletroportáteis premium (air fryers, processadores, máquinas de café) assumindo funções de grandes aparelhos. Quem domina esse portfólio híbrido lidera a próxima década.