A GCB Investimentos estrutura duas emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) que, somadas, podem captar até R$ 60 milhões. O movimento amplia a presença da gestora no setor, poucos meses depois de ela atingir a marca de R$ 100 milhões em CRAs emitidos.
Os recursos irão para grupos com perfis produtivos distintos: um grande produtor de grãos no Centro-Oeste e Nordeste e uma operação de confinamento de bovinos no interior paulista. Entender a estrutura de cada papel é essencial para quem busca renda fixa isenta de Imposto de Renda.
Dois perfis, uma mesma estratégia de acesso a capital
A primeira operação envolve o Grupo Zambianco, que cultiva cerca de 6,6 mil hectares por safra entre Goiás e Bahia. No ciclo 2025/2026, a companhia registrou receita de R$ 69,7 milhões — alta de 21% frente à temporada anterior.
Parte dos recursos (R$ 6 milhões) será destinada à instalação de um sistema de irrigação na Bahia. O restante cobre custeio agrícola, alongamento de dívidas e investimentos em infraestrutura.
Já a segunda emissão apoia o Grupo Favaretto, por meio da 3M Agropecuária. A estrutura comporta 30 mil animais em confinamento simultâneo e gira aproximadamente 100 mil cabeças por ano. O foco aqui é a compra de bovinos, com o próprio rebanho e os recebíveis comerciais servindo como garantia.
Condições dos papéis: prazos, taxas e degrau de remuneração
O CRA Favaretto traz uma estrutura de remuneração decrescente, desenhada para premiar quem entra cedo:
- Até 27/10 (pré-reserva): CDI + 5,5% a.a.
- De 28/10 a 28/10: CDI + 5% a.a.
- A partir de 29/10: CDI + 4% a.a.
O CRA Zambianco, por sua vez, oferece taxa fixa de CDI + 4% a.a. durante toda a vigência. Ambos têm investimento mínimo de R$ 1.000, pagamento mensal de juros e prazo de 55 meses. Para pessoas físicas, a isenção de Imposto de Renda segue a legislação vigente para CRAs.
Por que a estrutura de garantias importa para o investidor
No caso Zambianco, a garantia real recai sobre a safra e os recebíveis da produção irrigada — ativo que tende a reduzir a volatilidade climática. No Favaretto, a combinação de rebanho próprio mais duplicatas comerciais cria uma trava dupla: o gado físico e o fluxo de caixa da venda.
Essa diferença reflete ciclos produtivos distintos. Grãos têm sazonalidade marcada e receita concentrada na colheita. Pecuária de ciclo curto gera fluxo mais constante, mas exige capital de giro intenso para reposição do rebanho.
O que observar nos próximos passos
A GCB sinaliza que a estratégia é replicar esse modelo de “casamento” entre perfil do produtor e estrutura do papel. Para o investidor, três pontos merecem monitoramento:
- Adimplência histórica dos grupos em emissões anteriores (se houver);
- Evolução do custo de funding da gestora frente à Selic;
- Novas emissões com perfis de risco/retorno diferentes — como CRAs ligados a bioinsumos ou energia no campo.
Com a pré-reserva do Favaretto se encerrando em 27 de outubro, a janela para capturar o spread extra de 1,5 ponto percentual sobre a taxa final é curta. Quem busca alocação em renda fixa real, com isenção fiscal e lastro em ativos tangíveis, tem nas duas ofertas um termômetro do apetite do mercado por crédito privado do agronegócio.
