Uma denúncia de vazamento de dados empresariais expôs um laboratório clandestino de cosméticos e emagrecedores funcionando dentro de um apartamento no centro de Uberaba. Cinco pessoas foram presas na sexta-feira (23), incluindo um advogado que tentou obstruir a ação policial.
O que parecia ser apenas um uso indevido de CNPJ para envios postais revelou uma operação completa de fracionamento, envase, rotulagem e distribuição — tudo em condições sanitárias alarmantes.
Como a denúncia chegou à polícia
A empresária de 39 anos foi procurada pelo gerente de uma agência dos Correios. Havia dezenas de encomendas sendo despachadas em nome da empresa dela, mas a proprietária não reconhecia nenhuma remessa nem o endereço de coleta.
O rastro levou os policiais até um imóvel na avenida Doutor Fidélis Reis. No local, flagraram um homem entregando mercadorias a um motoboy. Ele alegou trabalhar para uma empresa de logística, mas a estrutura interna contava outra história.
Uma linha de produção improvisada
Os militares identificaram quatro pessoas operando em diferentes cômodos, cada um responsável por uma etapa:
- Fracionamento de produtos a granel
- Envase em frascos e bisnagas
- Rotulagem e embalagem final
- Expedição para todo o país via Correios
Uma quinta pessoa, advogado, foi presa por tentar dificultar o trabalho da equipe. Os nomes não foram divulgados.
Vigilância Sanitária: fezes, pelos e nenhuma licença
Fiscais municipais constataram a ausência total de alvará sanitário e licença de funcionamento. O relatório aponta condições degradantes: fezes e pelos de cachorro misturados aos materiais de produção, indicando contaminação direta dos itens que seguiriam para consumidores.
Há indícios de adulteração nos próprios produtos — o que enquadra o caso no artigo 273 do Código Penal: falsificação, corrupção ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais.
O que está em jogo para o mercado e o consumidor
Operações assim colocam no mercado itens sem rastreabilidade, sem controle de qualidade e com riscos reais à saúde: reações alérgicas graves, intoxicações e ineficácia de tratamentos. O uso indevido de dados de uma empresa legítima também configura crime de falsidade ideológica e estelionato.
Os suspeitos tiveram a prisão em flagrante ratificada e foram encaminhados ao sistema prisional. A Prefeitura de Uberaba ainda não detalhou o volume total apreendido.
O que observar daqui para frente
Casos semelhantes tendem a crescer com a expansão do e-commerce e a facilidade de criar rótulos falsos. Empresários devem monitorar uso indevido de CNPJ em logística reversa e marketplaces. Consumidores, desconfiar de preços muito abaixo do praticado por canais oficiais e sempre verificar lote, registro na Anvisa e procedência do vendedor.
A investigação segue para identificar a rede de distribuição e possíveis compradores dos lotes já despachados.
