Economia

IA: o segredo que ninguém conta sobre os trilhões em jogo nas big techs…

Gráfico de barras mostrando investimentos bilionários em IA das big techs Alphabet, Microsoft e Amazon com seta de queda nas ações
Big techs gastam trilhões em IA, mas Wall Street cobra retorno imediato.

Alphabet, Microsoft e Amazon divulgam balanços esta semana com receitas de dois dígitos — mas o mercado só quer saber quanto vão queimar em infraestrutura de inteligência artificial e quando o retorno aparece. A tolerância de Wall Street para capex elevado zerou.

Na quarta-feira passada, a Meta mostrou o que acontece quando a conta não fecha: ações caíram 6,1% no dia seguinte ao anúncio de US$ 125 bilhões adicionais em compromissos futuros, levando o total a US$ 825 bilhões. O CDS de cinco anos bateu recorde. O recado foi claro.

O gatilho que mudou tudo nas últimas semanas

Três movimentos simultâneos viraram o sentimento:

  • CoreWeave expôs o financiamento via dívida da expansão de data centers — juros altos tornam o modelo frágil.
  • Gartner estimou US$ 3,5 trilhões em risco de perda de valor até 2030 se a receita de IA não justificar o investimento.
  • Anthropic revelou crescimento de 45% no Q3, desaceleração frente ao trimestre anterior, rachando a narrativa de aceleração infinita.

“Cenário macro adverso, desaceleração da receita com IA e virada de alta no capex — combinação difícil”, resume John Belton, da Gabelli Funds.

O abismo entre valuation e expectativa

O índice Magnificent Seven sobe apenas 6,5% no ano, contra 11% do S&P 500 e 15% do Nasdaq 100. Só Apple e Nvidia batem o mercado. Uma versão do S&P sem as megacaps avança 12%.

Por outro lado, as sete gigantes negociam a menos de 24x lucro estimado — abaixo da média de dez anos (29x) e bem longe das 33x de um ano atrás. Microsoft e Alphabet estão com desconto histórico; Amazon roda abaixo de 20x, nível de 2008.

Lucros fortes, mas o mercado quer “extraordinário”

As projeções da Bloomberg Intelligence mostram lucros das Magnificent Seven crescendo 34% em 2026 (vs. 29% do S&P 500) e 27% em 2027 — estimativa que subiu de 19% há dois meses. A barra subiu junto.

“Quando cumprem a projeção, o mercado fica decepcionado. Querem resultados extraordinários”, diz Tiffany McGhee, da Pivotal Advisors.

O dilema do fluxo de caixa livre

O ciclo de investimentos transformou geradoras de caixa em empresas de fluxo de caixa livre negativo. Se as revisões forem para baixo de novo, a preocupação contamina provedores de nuvem de nova geração e todo o ecossistema de data centers.

Se houver revisões positivas, o alívio sinaliza que o fundo do poço das revisões negativas ficou para trás — e a parte mais dura do ciclo de capex passou.

O que observar daqui para frente

Três sinais dirão se a maré vira: (1) linguagem dos CEOs sobre ritmo de capex em 2027; (2) métricas de receita incremental por dólar investido em IA; (3) comportamento do fluxo de caixa livre nos guidances. Os “quatro cavaleiros da nuvem” — nas palavras de Kim Forrest, da Bokeh Capital — parecem irredutíveis nos planos de gasto. O mercado vai testar se a convicção deles resiste à realidade dos juros altos e do apetite por risco cada vez menor.