O ministro Cristiano Zanin, do Tribunal Superior Eleitoral, atendeu a pedidos das duas principais campanhas presidenciais e determinou a prorrogação do horário de votação até as 19h em todo o território nacional. A medida, anunciada no final da tarde deste domingo (25), responde ao cenário de temporais que atingem diversas regiões e já comprometiam o deslocamento de eleitores.
O que motivou a decisão inédita
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) protocolou pedido ao TSE argumentando que chuvas intensas em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul dificultavam o acesso às seções eleitorais. Quase simultaneamente, a equipe de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou solicitação semelhante, citando restrições no transporte coletivo em nove estados — entre eles Piauí, Paraíba, Pará, Rio de Janeiro, Alagoas, Pernambuco, Roraima e Bahia, além do Paraná e São Paulo.
Pela legislação vigente, as urnas fecham às 17h. A extensão de duas horas representa uma intervenção excepcional do Judiciário no calendário eleitoral.
Estados mais afetados e logística de transporte
Relatórios preliminares indicam alagamentos em vias de acesso a locais de votação, queda de barreiras em estradas vicinais e suspensão parcial de linhas de ônibus municipais e intermunicipais. Em Salvador, o Procon contabilizou 544 ônibus retidos em garagens até o meio-dia — número revisado para cima ao longo da tarde.
- Sul e Sudeste: SP, MG, PR, SC, RS — chuvas contínuas desde a madrugada
- Nordeste e Norte: PI, PB, PA, AL, PE, RR, BA — frota reduzida ou paralisada
- Rio de Janeiro: pontos de alagamento na capital e região metropolitana
Reação do plenário do TSE e próximos passos
A decisão monocrática de Zanin foi tomada em caráter de urgência, sem deliberação do colegiado. O ministro Nunes Marques concedeu prazo de 30 minutos para que o TRE da Bahia preste informações sobre a situação do transporte no estado. A expectativa é que o plenário referende a medida ainda nas próximas horas.
Especialistas em direito eleitoral observam que a uniformização do horário em todo o país — e não apenas nos estados afetados — visa evitar questionamentos sobre isonomia entre eleitores de diferentes localidades.
O que observar na apuração
Com o fechamento das urnas adiado para as 19h, a totalização dos votos deve começar mais tarde que o habitual. A Justiça Eleitoral já informou que a divulgação dos primeiros boletins de urna pode sofrer atraso de até duas horas em relação ao cronograma padrão. Para o eleitor que ainda não votou, a orientação oficial é dirigir-se à seção eleitoral portando documento com foto e título de eleitor — ou apenas o documento, caso o nome conste no cadastro da mesa receptora.
O segundo turno de 2026 encerra-se, assim, sob condições meteorológicas atípicas e com uma decisão judicial que pode virar precedente para futuras eleições afetadas por eventos climáticos extremos.
