Ronaldinho Gaúcho vestirá a camisa do Ravenna em 15 de novembro, marcando seu retorno aos gramados nove anos após a última partida oficial. O jogo contra o Forlì, válido pela Série C italiana, não é apenas nostalgia: o ex-craque tornou-se sócio do clube em junho e a jogada mira receitas além do ingresso.
Aos 46 anos, o campeão mundial de 2002 e Bola de Ouro de 2005 não atua profissionalmente desde 2015, quando defendia o Fluminense. A aposentadoria formal veio em 2018. O anúncio desta sexta (23) transforma um amistoso festivo em estudo de caso sobre valor de marca no futebol de base.
O ativo que o clube comprou não é o atleta
Ignazio Cipriani, dono do Ravenna e amigo do brasileiro, foi direto ao ponto: a contratação visa “aproximar toda a cidade do time”. Em junho, Ronaldinho adquiriu participação acionária no clube da terceira divisão. Em agosto, ao chegar na Itália, evitou confirmar que jogaria, mas deixou escapar a meta de alcançar o 300º gol da carreira.
O Ravenna ocupa a vice-liderança do Grupo B com 20 pontos em 10 rodadas, oito atrás do Spezia. O Estádio Bruno Benelli receberá o clássico regional — e a expectativa é de casa cheia, algo raro para a categoria.
Por que isso importa para quem olha o futebol como negócio
- Marketing de baixo custo: a presença de um ícone global gera exposição midiática que clubes da Série C não comprariam com orçamentos anuais inteiros.
- Engajamento local: a “magia” prometida nas redes sociais traduz-se em sócio-torcedor, merchandising e bilheteria no dia 15.
- Valorização da participação acionária: Ronaldinho lucra se o clube cresce; o clube cresce se Ronaldinho joga. Alinhamento de incentivos raro no esporte.
Não há garantia de minutos em campo além da partida única. O contrato não prevê sequência na temporada. Ainda assim, a operação já se pagou em visibilidade: veículos de todo o mundo noticiaram um time da terceira divisão italiana nesta semana.
O que observar daqui para frente
O jogo de 15 de novembro servirá de termômetro. Se a receita de bilheteria, transmissão e produtos licenciados superar as projeções, o modelo “lenda como sócio-jogador” pode migrar para outros clubes de divisões inferiores na Europa e na América do Sul. Investidores atentos ao futebol de base devem monitorar três variáveis: público no Bruno Benelli, pico de seguidores nas redes do Ravenna nas 48h pós-jogo e eventuais ofertas de naming rights ou patrocínio master que surjam nas próximas semanas.
A mágica pode até ter voltado ao gramado. O que fica é a lição de como transformar capital simbólico em ativo financeiro mensurável — mesmo aos 46 anos.
