A Gol confirmou o fim dos voos diretos entre Rio Branco e Porto Velho apenas dois meses depois de reativar a ligação. A rota Rio Branco–Manaus tem data marcada para deixar de operar em fevereiro de 2027. O motivo central: o querosene de aviação (QAV) dobrou de preço e já consome cerca de 40% dos custos da companhia.
O último voo entre as duas capitais nortistas deve ocorrer ainda em novembro, sem dia exato definido. A companhia informa que as datas de encerramento dependem do volume de passagens já vendidas. Para o passageiro, a consequência imediata é a perda da única opção direta entre Acre e Rondônia — hoje inexistente nas outras duas empresas que operam no estado.
O peso do combustível na decisão
O QAV acumula alta de 53% apenas em 2024, segundo dados do setor. Como representa quase metade do custo operacional, qualquer oscilação obriga ajustes rápidos na malha. A Gol declarou que está “revisando rotas, com redução e/ou suspensão da operação em alguns trechos” para preservar a sustentabilidade financeira.
Não há garantia de retorno. A empresa condiciona a reativação à demanda futura e à estabilização dos custos, mas não aponta prazos nem gatilhos concretos.
O que muda para quem já comprou passagem
- Bilhetes comprados direto com a Gol: remarcação, crédito ou reembolso pelo 0300-115-2121.
- Passagens com milhas (Smiles): gestão pelo telefone 11 991 824 233.
- Compras via agências: procure a empresa que vendeu o bilhete.
A orientação vale para ambas as rotas descontinuadas. Passageiros que não aceitarem as alternativas oferecidas podem manter o crédito na companhia ou solicitar a devolução integral.
O vazio logístico no oeste amazônico
Com a saída da Gol, não há mais voos diretos entre Rio Branco e Porto Velho nas três companhias que atendem o Acre. Quem precisar fazer o deslocamento terá de recorrer a conexões — geralmente via Brasília ou São Paulo — o que eleva tempo de viagem e custo final.
O Acre já figura como o terceiro estado com passagem aérea mais cara do país, com tarifa média de R$ 1.100, segundo levantamento recente. A redução de oferta direta tende a pressionar ainda mais os preços nos próximos meses.
Próximos passos: o que observar
O encerramento da rota para Manaus, programado para fevereiro de 2027, sinaliza que o rearranjo da malha no Norte é mais amplo do que um corte pontual. Especialistas acompanham dois movimentos: a possível entrada de outras operadoras no vácuo deixado e a evolução do preço do QAV, que ditou a decisão atual.
Enquanto isso, o passageiro acreano ou rondoniense que precisa cruzar a fronteira estadual passa a depender de conexões longas ou do transporte rodoviário — este último com mais de 500 km de estrada entre as capitais. A equação custo-tempo piorou de forma concreta nas últimas 48 horas.
