O chef e pesquisador Paulo Machado leva neste domingo (25) a culinária do Pantanal para um evento gastronômico em Esmir, na Turquia, com destaque para o macarrão de comitiva e o doce de leite do Rio da Prata. Mas o que torna essa receita rústica capaz de cruzar oceanos e despertar o interesse de investidores e empreendedores?
Uma receita que nasceu na estrada e virou embaixadora
O macarrão de comitiva surgiu na rotina dos peões que cruzavam o Pantanal conduzindo rebanhos. Preparado em uma única panela com macarrão, carne seca, alho e banha, o prato resume a praticidade exigida por jornadas longas. Paulo Machado aprendeu a técnica com Helinho, referência nas comitivas, e hoje a ensina como símbolo de uma cultura que ainda é pouco conhecida fora do Brasil.
Na Turquia, o chef adiciona tomate-cereja e suco de laranja — uma “licença poética” que mantém a base e amplia o perfil de sabor. A simplicidade dos ingredientes permite reprodução em qualquer cozinha profissional ou doméstica, o que abre portas para a internacionalização de produtos regionais.
Doce de leite artesanal e farinha da Amazônia: a combinação que valoriza a origem
Outro pilar da apresentação é o doce de leite produzido em Jardim (MS), resultado de uma receita familiar aprimorada ao longo de 14 anos de parceria com o Instituto Paulo Machado. Servido com farinha de mandioca crocante trazida da Amazônia, o doce cria contraste de texturas e reforça a narrativa de um Brasil múltiplo.
Paulo atua como embaixador da marca desde 2023 e já levou o produto a feiras na Europa e nas Américas. A estratégia combina storytelling, rastreabilidade e qualidade artesanal — atributos cada vez mais valorizados em mercados premium.
Do Direito à gastronomia: a trajetória que construiu um instituto de pesquisa
Natural de Campo Grande, Paulo deixou o estado aos 20 anos para cursar Direito em São Paulo, influenciado pelo avô, o historiador Paulo Coelho Machado. A virada veio ao trabalhar como garçom e descobrir a paixão pela cozinha. Formou-se em Gastronomia, especializou-se na França e concluiu mestrado em Hospitalidade.
Hoje, radicado na Catalunha, comanda o Instituto Paulo Machado e a Brasil Food Safaris, empresa de turismo gastronômico que completa 14 anos em 2024. O negócio organiza expedições que conectam viajantes a tradições culinárias brasileiras, gerando receita para comunidades locais e visibilidade para ingredientes nativos.
Por que isso importa para o mercado agora
- Crescimento da demanda global por alimentos com identidade cultural e rastreabilidade.
- Oportunidade de posicionar o Pantanal como destino de turismo gastronômico de alto valor.
- Potencial de exportação de produtos artesanais (doce de leite, farinhas, carnes curadas) com margens premium.
A participação no evento turco — cujo tema é a memória afetiva na gastronomia — coloca a cozinha pantaneira no mesmo palco de referências como a amazônica, ampliando o repertório de compradores, chefs e formadores de opinião internacionais.
O que observar nos próximos meses
Novas rodadas de negócios devem surgir a partir dos contatos feitos em Esmir, especialmente com distribuidores europeus interessados em linhas artesanais brasileiras. A Brasil Food Safaris planeja expedições temáticas ao Pantanal para 2025, o que pode atrair investidores em hospitalidade e alimentação. Acompanhar a repercussão da aula na imprensa especializada e nas redes sociais do Instituto será termômetro para medir o apetite do mercado externo por essa culinária.
