Helton Ricardo, 30 anos, pediu demissão do emprego formal há um mês para viver exclusivamente da internet. O motivo? Uma semelhança física que transformou em negócio: ele é o “Ney Gaúcho”, sósia do craque Neymar com 1,5 milhão de seguidores.
A decisão não foi impulsiva. O ex-instrutor de parque turístico em Canela (RS) testou o terreno durante meses, conciliando turnos com lives e vídeos. Quando os números explodiram nas férias, a conta fechou: a internet pagava mais — e dava liberdade.
Do carro ao personagem: a origem improvável
Natural de Uruguaiana, Helton chegou à Serra Gaúcha há cinco anos sem conhecer ninguém. Dormiu três noites no carro enquanto distribuía currículos. “Vim lá de baixo, passei muito trabalho, fui humilhado muitas vezes”, resume. A virada começou quando visitantes do parque pediam fotos com ele, brincando com a aparência.
Um amigo batizou-o de “Guri Ney”, referência ao “Menino Ney”. Helton entrou na onda, criou o personagem “Ney Gaúcho” e passou a imitar trejeitos, celebrações e até polêmicas do jogador — sempre no humor, nunca na ofensa.
O vídeo que mudou tudo: Mavie, a bola e a boneca da namorada
O estouro veio com a paródia de um momento real: a filha de Neymar, Mavie, levando uma bolada. Helton recriou a cena com uma boneca antiga da namorada e a frase “Para que jogar a bola na Mavie?”. O vídeo viralizou, atraiu reações de influenciadores grandes e confirmou: aquilo era profissão.
- 1,5 milhão de seguidores somados nas redes
- 1 mês desde a saída do emprego com carteira assinada
- 5 anos morando na Serra após sair da Fronteira Oeste
Regra de ouro: humor sem ofensa — e porta aberta para o próprio Neymar
Helton é fã declarado do jogador. Deixa claro: se Neymar se incomodar com alguma esquete, basta pedir que ele ajusta ou remove. “Meu objetivo é causar riso, fazer as pessoas ficarem bem. Não é faltar com respeito”, afirma. A gratidão, diz, é o combustível — pelos fãs e pela referência que inspirou o personagem.
Próximos passos: ringue, stand-up e novos personagens
O calendário já tem data marcada: no fim do ano, Helton sobe no ringue do Fight Music Show, evento de lutas entre influenciadores, contra outro humorista. Paralelamente, prepara show de stand-up e projeta conteúdos ligados ao esporte e a outros personagens.
A transição de funcionário CLT para criador de conteúdo full-time expõe um movimento maior: a economia de criadores absorvendo talentos que, antes, ficariam restritos ao mercado tradicional. Helton não inventou a roda — mas soube girar a própria imagem a favor.
O que observar daqui para frente
Acompanhe a migração de público das redes para formatos ao vivo (shows, eventos presenciais) e a capacidade de renovar o personagem sem depender exclusivamente do noticiário do “original”. A longevidade de um sósia profissional depende, no fim, de virar referência própria — não apenas reflexo.
