O dólar comercial fechou a sexta-feira (23) cotado a R$ 4,993, primeira vez abaixo de R$ 5 desde 9 de outubro, enquanto o petróleo Brent disparou 3,13% no dia e 6,24% na semana, atingindo US$ 116,72 — maior patamar desde abril. O movimento ocorreu no último pregão antes do segundo turno presidencial, mas a explicação para tanta volatilidade vai além das urnas.
Por que o real brilhou enquanto o mundo tremia
A moeda brasileira teve o melhor desempenho entre as principais divisas globais na sessão, caindo 0,92% frente a uma alta de 0,19% do índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de moedas fortes. Na semana, a desvalorização acumulada foi de 1,58%, revertendo completamente o avanço de 1,77% registrado nos cinco dias anteriores.
Investidores ajustaram posições diante da disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), mas o fluxo positivo surpreendeu pela intensidade. A mínima intradiária tocou R$ 4,989, sinalizando apetite por risco que contrastou com a tensão geopolítica externa.
Mas o choque maior veio da commodity que move o mundo.
O petróleo que ninguém esperava a US$ 116
O Brent para dezembro fechou a US$ 116,72 por barril, alta de 3,13% no pregão. O WTI, referência americana, saltou 3,82% para US$ 103,27. Na comparação semanal, os ganhos chegam a 6,24% e 4,29%, respectivamente — o rali mais forte desde o primeiro trimestre.
A escalada reflete temores concretos de interrupção no fornecimento global:
- Irã ameaça retaliar eventuais ataques de EUA e Israel contra bases, navios e alvos no Golfo Pérsico;
- Houthis e Arábia Saudita intensificam confrontos, elevando o risco logístico no Mar Vermelho;
- Reserva Estratégica dos EUA foi acionada para estabilizar o abastecimento interno diante de perdas de estoque.
Essa alta contaminou a bolsa de forma seletiva.
Bolsa sobe no dia, mas semana fecha no vermelho
O Ibovespa avançou 0,47% na sexta, aos 205.082,56 pontos, com volume de R$ 30,7 bilhões. Ações de petroleiras e mineradoras puxaram o índice, surfando a valorização do petróleo e do minério de ferro. No entanto, a semana terminou com queda de 0,17%, reflexo da cautela pré-eleitoral.
Os números de 2026 ainda impressionam: alta de 10,06% em outubro e 27,28% no ano. O investidor que olhou apenas o fechamento de sexta perdeu o sinal de alerta da semana.
A pergunta que fica é como o resultado das urnas vai reorganizar esse tabuleiro.
O que o investidor deve monitorar na segunda-feira
Três variáveis ditarão o ritmo nos próximos dias: a composição do novo governo e seus sinais fiscais iniciais, a evolução do conflito no Oriente Médio — com foco em possíveis sanções ao petróleo iraniano — e a reação do Federal Reserve aos dados de inflação americanos que saem na quarta-feira. O real testou R$ 4,98, mas a sustentação abaixo de R$ 5 depende de fluxo externo contínuo e ausência de ruídos domésticos. Quem opera câmbio ou commodities deve manter stops apertados e posições dimensionadas para cenários de gap na abertura.
