O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) ativou um regime especial de operação que começa à 0h de sábado (24) e só termina às 7h de segunda-feira (26). Objetivo único: garantir que nenhuma urna eletrônica apague por falta de energia.
A medida atinge diretamente geradoras, transmissoras e distribuidoras de todo o Sistema Interligado Nacional (SIN). Manutenções programadas foram suspensas. Equipes ficam de sobreaviso. Meteorologia é monitorada em tempo real.
O que muda na prática para o setor
A resolução do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) veda intervenções com potencial de impacto na rede durante a janela crítica. Em resumo:
- Manutenções preventivas: adiadas ou canceladas se houver risco ao SIN
- Equipes de campo: plantão reforçado 24h em subestações e centros de controle
- Comunicação: protocolo unificado entre ONS, agentes e centros regionais
- Clima: alertas de tempestades, vendavais e descargas atmosféricas acionam contingências automáticas
O teste do primeiro turno: zero ocorrências
No dia 4 de outubro, o mesmo pacote foi aplicado. O relatório do ONS confirma: nenhuma interrupção de carga afetou o processo eleitoral. O sistema operou dentro dos parâmetros de segurança previstos, sem sustos na votação nem na apuração.
Esse histórico é o principal ativo de confiança para o segundo turno. A expectativa interna é replicar o desempenho — ou melhorá-lo, já que lições operacionais foram incorporadas ao plano.
Por que a janela se estende até segunda de manhã
A apuração pode avançar pela madrugada. Locais de votação e centros de totalização precisam de energia estável até o último boletim de urna transmitido. O horário das 7h de segunda foi calculado para cobrir a transmissão final de dados e a desmobilização segura das seções.
Além disso, a rede precisa de margem para recompor eventuais oscilações pós-pico de domingo. O sobreaviso garante resposta em minutos, não em horas.
O que observar nas próximas 72 horas
Três variáveis determinam se o plano funciona sem ativação de contingências:
- Frentes frias no Sul/Sudeste: rajadas acima de 80 km/h derrubam árvores sobre linhas de distribuição
- Carga térmica no Nordeste: picos de ar-condicionado testam subestações já no limite
- Disponibilidade de geração hidráulica: reservatórios em níveis confortáveis reduzem dependência de termelétricas de partida lenta
Para o empresário ou gestor de grandes consumidores, a sinalização é clara: evitem paradas programadas próprias nesse intervalo. A rede estará “blindada”, mas a margem de manobra do ONS será zero. Qualquer evento interno na sua planta soma-se ao risco sistêmico.
O fechamento das urnas não encerra a operação. A transmissão dos resultados, a validação dos boletins e a logística de recolhimento das urnas eletrônicas dependem da mesma estabilidade. O termômetro real do sucesso será o relatório de segunda-feira — e, até lá, a rede roda no modo “segurança máxima”.
