A OpenAI reduziu a meta de avaliação para US$ 1,25 trilhão na rodada de captação que pretende levantar US$ 30 bilhões. O corte acontece depois que grandes nomes do mercado rejeitaram o preço inicial de US$ 1,4 trilhão. A decisão expõe um cenário de cautela que poucos esperavam para a líder da inteligência artificial generativa.
O valor revisado ainda representa um salto de quase 50% sobre os US$ 852 bilhões atuais. Mas a facilidade das rodadas anteriores evaporou. Pela primeira vez em anos, não houve “corrida” dos investidores para entrar no negócio.
Por que o apetite esfriou de repente
O Morgan Stanley e o fundo Dragoneer tentaram colocar a fatia com valuation pré-money de US$ 1,4 trilhão para clientes de wealth management. O resultado: demanda mais fraca que em ofertas passadas e relatos de “cansaço” entre quem já aportou bilhões nos últimos ciclos.
Três fatores principais explicam a resistência:
- Volume recente: A OpenAI captou US$ 40 bi em março de 2025 e US$ 122 bi no início deste ano.
- Concorrência direta: A Anthropic levantou quase US$ 100 bi em 2024 e prepara IPO para o fim do ano.
- Macroeconomia: Queda forte nas ações de tecnologia dos EUA abalou a confiança na sustentabilidade do boom de infraestrutura de IA financiado por dívida.
Muitos gestores preferem esperar o IPO da Anthropic para calibrar o preço justo da rival antes de comprometer novo capital.
A ponte para 2027 e o papel dos Emirados
Os US$ 30 bilhões buscados agora funcionam como uma “ponte” até a estreia na bolsa, prevista para o primeiro semestre de 2027. A data não está cravada, mas o cronograma interno já roda.
O grupo americano Coatue e fundos soberanos dos Emirados Árabes Unidos negociam a liderança da rodada. Um detalhe estratégico: o acordo dá à OpenAI direito de preferência sobre nova capacidade computacional desenvolvida pelos parceiros emiratitas. Em linguagem clara, garante acesso prioritário a chips e data centers — o verdadeiro gargalo do setor hoje.
O prazo para adesão dos investidores termina em 30 de outubro. A empresa admite que pode fechar abaixo dos US$ 30 bi almejados, dependendo do interesse final.
O que o mercado sinaliza para quem observa
Jimmy Chang, CIO do Rockefeller Global Family Office, resume o dilema: “O mercado precisa ver uma oferta pública inicial bem-sucedida. Essas empresas precisam de financiamento”. A incerteza sobre o debut das duas gigantes pressiona o setor de tecnologia como um todo.
Se a OpenAI conseguir fechar a rodada nos termos atuais, valida o novo patamar de preço e ganha fôlego para 2027. Se o valor final ficar aquém, o sinal será de que o teto de valuation para IA privada pode ter sido atingido — pelo menos até que os resultados operacionais provem o contrário.
O que observar daqui para frente
Três marcos ditam o próximo capítulo: o fechamento efetivo desta captação até o fim de outubro, o IPO da Anthropic no fim do ano e a divulgação de resultados financeiros auditados da OpenAI, ainda inéditos para o público amplo. Quem tem exposição direta ou indireta ao setor deve monitorar a taxa de adesão dos limited partners nos fundos que lideram a rodada. É ali que o “sim” ou “não” real será dado — longe dos holofotes.
