Economia

Caminhoneiros enfrentam 24h de fila em balsa após ponte interditar BR em MT

Fila de caminhões aguardando balsa para cruzar Rio Guaporé após interdição da ponte BR-174B em MT
Caminhoneiros formam fila de até 24 horas para travessia de balsa no Rio Guaporé após ponte ser interditada.

Uma interdição total na BR-174B transformou a rotina de transportadores em Vila Bela da Santíssima Trindade: a travessia do Rio Guaporé agora exige até 24 horas de espera. O gargalo atinge diretamente o escoamento da safra e eleva custos logísticos na região.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) bloqueou a ponte Milton Guilherme por tempo indeterminado após detectar nova falha estrutural. A medida pegou o setor de surpresa e expôs a fragilidade de uma rota estratégica para o agronegócio mato-grossense.

Como funciona a travessia emergencial

Duas estruturas provisórias operam em regime limitado:

  • Ponte de madeira: apenas veículos até 30 toneladas
  • Balsa: obrigatória para cargas acima de 30 toneladas, das 7h às 17h

A janela de dez horas de operação da balsa cria um funil logístico. Caminhoneiros relatam filas que começam de madrugada e só terminam no fim da tarde do dia seguinte.

O efeito cascata no agronegócio

Produtores rurais já contabilizam prejuízos. Atrasos na entrega de insumos comprometem o cronograma da safra, enquanto o custo por hora parada do caminhão — entre R$ 150 e R$ 300, dependendo da configuração — corrói a margem do frete.

Em setembro de 2025, a mesma ponte já havia sido interditada para veículos acima de 30 toneladas. A restrição parcial não resolveu o problema estrutural, que agora exige intervenção completa.

Obras sem prazo para terminar

O DNIT informa que executa reparos emergenciais para reforçar a estrutura, mas não divulgou cronograma de liberação. A ausência de data prevista impede que transportadoras planejem rotas alternativas com antecedência.

Enquanto isso, a balsa opera no limite de capacidade. Cada viagem transporta poucos veículos por vez, e o tempo de manobra — embarque, travessia, desembarque — consome cerca de 40 minutos por ciclo.

O que observar nas próximas semanas

Três variáveis definirão o tamanho do impacto:

  • Velocidade das obras de reforço na ponte principal
  • Eventual ampliação do horário de operação da balsa
  • Condições climáticas — chuvas intensas podem suspender a travessia fluvial

O DNIT promete atualizações pelos canais oficiais. Transportadores e embarcadores devem monitorar diariamente os comunicados para ajustar roteiros e negociar prazos com clientes. A alternativa rodoviária mais próxima adiciona centenas de quilômetros ao percurso, tornando-se inviável para a maioria das operações de curta e média distância.