Uma propriedade rural no Sudoeste do Paraná trocou a monocultura de soja e milho por hortaliças orgânicas e viu a renda mensal da família estabilizar com baixo investimento inicial. O modelo, impulsionado por assistência técnica contínua e crédito direcionado, já atrai outros produtores da região. Mas o impacto real vai além da porteira.
A cooperativa Cresol mantém uma agência em Verê há 27 anos e hoje reúne 2.360 cooperados no município. O carro-chefe da transformação local é o programa Empreendedorismo Rural, que une orientação agronômica, planejamento financeiro e acesso a mercado para agricultores familiares.
Da pecuária para cestas orgânicas: o caso Mauro Erdmann
Há dez anos, Mauro Sergio Erdmann assumiu a área dos pais. O sistema convencional — soja, milho e leite — não fechava a conta. Há dois anos, ele aderiu ao programa da cooperativa e iniciou a transição para orgânicos com suporte do técnico Odéssio.
O resultado prático em números:
- Área: pequena fração da propriedade (alta rentabilidade por m²);
- Diversidade: mais de 10 variedades de legumes, hortaliças e frutas;
- Insumos: biológicos, com equilíbrio de solo monitorado;
- Renda: estabilidade financeira mensal com custo inicial reduzido.
O próximo passo já está mapeado: ampliar a produção, instalar estufas e adotar energia solar para atender a demanda crescente identificada pela própria cooperativa.
Como o programa funciona na prática
O Empreendedorismo Rural não se limita a liberar crédito. A metodologia cria uma ponte tripla: agricultor, tecnologia e cooperativa. O técnico visita a propriedade, diagnostica solo e mercado, desenha o plano de transição e a agência estrutura o financiamento compatível com o fluxo de caixa da nova atividade.
Esse ciclo gera um efeito colateral poderoso: o recurso financeiro circula dentro da própria comunidade. Comerciantes locais, prestadores de serviço e outros agricultores sentem o impacto. Segundo o gerente Gilvani Somariva, a presença de quase três décadas no município permitiu construir um relacionamento que vai “muito além de soluções financeiras”.
Educação financeira começa na escola
Enquanto o campo muda de cultura, a cidade prepara a próxima geração. Dois projetos atingem 225 alunos da rede municipal:
- Um Olhar para o Futuro: cidadania e planejamento de vida;
- Mesadinha e sua Turma: educação financeira prática para crianças.
A estratégia é formar consumidores e empreendedores conscientes antes que entrem no mercado de trabalho ou assumam propriedades da família.
O que observar nos próximos meses
A cooperativa soma 1,2 milhão de cooperados e 1.060 agências no Brasil. Em Verê, a aposta agora é na replicabilidade: cada caso de sucesso como o de Erdmann vira vitrine técnica para vizinhos. A tendência é que a diversificação orgânica ganhe escala, puxada pela demanda urbana por alimentos rastreados e pelo custo logístico menor de produção próxima aos centros consumidores.
Para o empresário ou investidor que acompanha o agronegócio familiar, o sinal claro é: modelos de alta rentabilidade por hectare, com assistência técnica integrada e crédito sob medida, estão deixando de ser exceção para virar padrão em regiões com cooperativismo maduro. Vale monitorar editais de fomento, linhas de crédito verde e parcerias público-privadas que devem acelerar essa transição em 2025.
