Justiça

O segredo por trás da queda dos ‘influencers do tigrinho’ em Roraima…

Polícia Civil de Roraima prende suspeitos de esquema do jogo do tigrinho com influencers
Operação Mantus desarticula rede que usava criadores de conteúdo para divulgar apostas ilegais

A Polícia Civil de Roraima desarticulou, nesta quarta-feira (21), o núcleo de recrutamento que alimentava a rede de divulgação do “jogo do tigrinho” no estado. A segunda fase da Operação Mantus mirou dois homens, de 31 e 32 anos, suspeitos de transformar criadores de conteúdo em peças de uma engrenagem ilegal de apostas.

O que chama atenção não é apenas a prisão, mas a estrutura por trás das cortinas: uma operação empresarial disfarçada de lifestyle. Entender essa mecânica revela como o mercado de influência tem sido cooptado por riscos jurídicos invisíveis ao público.

Como funcionava a “máquina” de aliciamento

Segundo o delegado Eduardo Patrício, da Delegacia Especial de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), a dupla não se limitava a postar links. Eles atuavam como gestores de uma rede de afiliados, prospectando perfis com engajamento real para escalar o alcance das plataformas ilegais.

O modelo assemelha-se a um marketing multinível de alto risco: o influenciador empresta a credibilidade, a plataforma ganha usuários e o recrutador fatura a comissão. O prejuízo — financeiro e reputacional — fica para quem confiou na indicação.

  • Alvos: Dois homens (31 e 32 anos) identificados como recrutadores centrais.
  • Local: Bairros Caimbé e Treze de Setembro, Boa Vista (RR).
  • Apreensões: Celulares e equipamentos eletrônicos para perícia forense.
  • Medida judicial: Suspensão imediata do Instagram do investigado de 31 anos.

O impacto direto no ecossistema de negócios digitais

Para empresários e investidores que olham o mercado de creators, o caso acende um alerta vermelho. A linha entre “publi” legítima e crime de contravenção penal (Art. 50, Lei das Contravenções Penais) tornou-se tênue demais para ser ignorada em contratos de influência.

A determinação judicial de derrubar o perfil do investigado sinaliza uma mudança de postura do Judiciário: a plataforma deixa de ser apenas palco e passa a ser alvo de contenção. Isso eleva o compliance a item obrigatório em qualquer negociação com influenciadores.

Por que a perícia dos aparelhos pode ampliar o escândalo

A análise forense dos dispositivos apreendidos é o próximo capítulo — e talvez o mais explosivo. Não se trata apenas de confirmar a autoria dos posts; a polícia busca mapear a cadeia de pagamentos e identificar outros influenciadores que receberam para divulgar, mesmo que tenham apagado os stories.

Historicamente, operações como a Mantus (cuja primeira fase ocorreu em abril de 2024) revelam que o dinheiro “fácil” deixa rastros bancários e conversas em aplicativos criptografados. Quem recebeu valores — por PIX, cripto ou permuta — entra no radar.

O que observar daqui para frente

O fechamento da conta no Instagram abre precedente para que plataformas sejam cobradas a monitorar ativamente a promoção de jogos não regulamentados pela SPA/MF. Para o profissional de negócios, a lição prática é clara: auditar o portfólio de parceiros deixou de ser “boas práticas” para virar gestão de risco existencial.

Fique atento às próximas listas de “habilitados” pelo Ministério da Fazenda. A separação entre o mercado regulado e o subterrâneo será o divisor de águas para quem vive de reputação digital em 2025.