O cachorro Romário foi resgatado com vida na manhã desta quarta-feira (21) após passar cinco dias preso nos escombros de um imóvel que desabou no bairro do Caramujo, em Niterói. O animal pertencia aos irmãos Pablo Oliveira, de 16 anos, e Beatriz Oliveira, de 25, que também estavam na casa no momento do colapso. O tutor reconheceu o choro do pet entre os destroços e acionou o Corpo de Bombeiros.
O momento do reencontro
Pablo estava no local acompanhando os trabalhos de busca quando ouviu um som familiar vindo de debaixo da estrutura colapsada. Ele identificou imediatamente o choro do próprio cachorro e alertou a equipe de resgate. Os bombeiros localizaram o animal em uma área de difícil acesso, mas conseguiram retirá-lo sem ferimentos.
Segundo o bombeiro civil que participou da operação, Romário não apresentou nenhuma lesão aparente. O cão estava desidratado e debilitado, mas consciente e responsivo. A sobrevivência por tanto tempo sem água e comida em um ambiente instável é considerada atípica por especialistas.
Os números por trás do desabamento
O caso expõe dados que vão além do resgate do animal:
- Data do colapso: sexta-feira, 16 de outubro
- Dias sob escombros: 5 (cachorro) / poucas horas (irmãos)
- Altura do imóvel: três andares
- Alta hospitalar de Beatriz: mesma sexta-feira (16)
- Alta hospitalar de Pablo: domingo (19)
Como os irmãos sobreviveram
Pablo e Beatriz dormiam quando a estrutura cedeu. A sobrinha das vítimas, que havia acabado de concluir um curso de bombeiro civil, foi a primeira a chegar. Ela cavou um buraco nos destroços e manteve contato verbal com os dois até a chegada dos bombeiros profissionais. Beatriz conseguiu sair com menos dificuldade; Pablo precisou de mais tempo para ser retirado, mas ambos estavam lúcidos durante todo o processo.
A ação rápida da familiar treinada foi determinante. Manter as vítimas conscientes e calmas evitou o agravamento de possíveis lesões internas e facilitou o trabalho das equipes especializadas.
O que explica a resistência do animal
Veterinários consultados em casos semelhantes apontam fatores que podem ter contribuído para a sobrevivência de Romário: temperatura amena nos dias seguintes ao desabamento, ausência de ferimentos graves no momento do impacto e a capacidade natural de cães de reduzir o metabolismo em situações de estresse extremo. Ainda assim, cinco dias superam a média estimada de sobrevivência sem água, que gira em torno de 72 horas.
O resgate do cachorro ocorreu após a conclusão dos trabalhos de busca por vítimas humanas. A prioridade dos bombeiros foi garantir a estabilidade da estrutura remanescente antes de permitir a aproximação de áreas consideradas de risco.
O que observar nos próximos dias
Romário passará por avaliação veterinária completa para descartar danos renais por desidratação prolongada e possíveis lesões internas não visíveis. O caso reacende o debate sobre protocolos de busca por animais de estimação em desastres urbanos — atualmente, não há diretriz nacional que obrigue a inclusão de pets nas operações oficiais de resgate. Tutores em áreas de risco devem manter documentação e fotos dos animais acessíveis para facilitar identificação e localização em emergências.
