Uma nova pesquisa Quaest coloca Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) em empate técnico absoluto no segundo turno de 2026: 45% a 44%. Mas o número que realmente move o tabuleiro não está na intenção de voto — está na rejeição, que despencou para ambos em apenas sete dias.
A margem de erro de dois pontos engole a diferença de um ponto entre os candidatos. O cenário, porém, deixou de ser estático.
O que os 45% a 44% escondem sobre o eleitorado
Na simulação estimulada, o senador Flávio Bolsonaro oscilou um ponto para baixo (tinha 46%), enquanto o presidente Lula estagnou nos 44%. Votos brancos, nulos e abstenções travam em 9%; indecisos subiram de 1% para 2%.
Parece repetição da semana passada. Não é.
Rejeição em queda livre: o verdadeiro termômetro
Enquanto a intenção de voto mal mexeu, a “anti-votação” desabou. A rejeição a Lula caiu seis pontos de uma semana para a outra — de 53% para 47%. A de Flávio Bolsonaro recuou dois, indo de 54% para 52%.
Em tese, quem reduz rejeição abre espaço para crescer no voto útil. O problema: os dois caíram juntos.
| Candidato | Rejeição Anterior | Rejeição Atual | Variação |
|---|---|---|---|
| Lula (PT) | 53% | 47% | -6 pp |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 54% | 52% | -2 pp |
Essa queda simultânea sugere um eleitorado menos radicalizado ou, talvez, mais cansado de vetos. Para analistas de risco político, é o sinal mais claro de volatilidade até aqui.
Para onde migram os votos do primeiro turno?
A Quaest rastreou a transferência de eleitores de quatro grupos-chave do primeiro turno. As margens de erro aqui são altas (de 6 a 24 pontos), mas a direção dos vetores importa:
- Eleitores de Augusto Cury: Lula sobe de 34% para 48%; Flávio vai de 30% a 33%. Brancos/nulos caem pela metade (30% para 16%).
- Eleitores de Ronaldo Caiado: Flávio salta de 42% para 57%; Lula cai levemente (23% para 21%).
- Eleitores de Renan Santos: Flávio cresce de 40% para 51%; Lula avança de 14% para 25%.
- Abstentes/Brancos/Nulos do 1º turno: Único grupo onde ambos caem (Lula 43%→40%; Flávio 38%→36%). A indecisão e o voto nulo voltam a subir aqui.
O recado: o eleitor de centro-direita (Caiado, Renan) consolida-se em Flávio. O eleitor de centro/terceira via (Cury) migra forte para Lula. O voto de protesto continua flutuante.
Metodologia e datas: o que valida o retrato
Foram 2.154 entrevistas presenciais entre 17 e 20 de outubro. Nível de confiança de 95%, registro TSE BR-08535/2026. A amostra capta o pós-debates e o início da propaganda de segundo turno — janela sensível para oscilações.
O que observar daqui para frente
Três variáveis decidem se o empate técnico vira vantagem numérica nas próximas rodadas: a taxa de comparecimento (hoje em 9% de brancos/nulos/abstenção), o destino dos 2% de indecisos e a capacidade de cada campanha converter a queda de rejeição em voto positivo. O próximo tracking dirá se a queda da “anti-votação” foi ruído estatístico ou mudança estrutural de humor. Para quem precifica risco Brasil, o dado de rejeição vale mais que o de intenção hoje.
