Ciência

Pesquisa Quaest: Lula e Flávio Bolsonaro empatados tecnicamente; aprovação sobe um ponto

Lula e Flávio Bolsonaro lado a lado com gráficos de intenção de voto 44% e 45%
Pesquisa Quaest mostra empate técnico entre Lula (44%) e Flávio Bolsonaro (45%) para 2026.

Nova pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21) coloca Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em empate técnico na disputa pelo Planalto: 44% contra 45%. A aprovação do governo subiu um ponto e chegou a 46%, enquanto a desaprovação caiu para 47%. A diferença, que era de três pontos, agora é de apenas um.

O levantamento ouviu 2.154 eleitores entre 17 e 20 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais. O que os números não dizem — e por que isso importa para quem acompanha o cenário político e econômico — está nas camadas abaixo da manchete.

O que mudou desde a semana passada

A oscilação de um ponto para cima na aprovação e um para baixo na desaprovação parece marginal. Mas, numa eleição decidida na margem, cada décimo conta. Veja o movimento:

  • Aprovação: 45% → 46%
  • Desaprovação: 48% → 47%
  • Não sabe/não respondeu: manteve-se em 7%

Na avaliação do governo, o quadro também mexeu pouco: a visão “negativa” recuou de 40% para 38%, enquanto “regular” subiu de 24% para 26%. A avaliação “positiva” travou em 34%.

Por que o empate técnico muda a leitura do segundo turno

Com 45% contra 44% e margem de erro de dois pontos, Flávio Bolsonaro e Lula estão, estatisticamente, no mesmo patamar. Isso significa que:

  • Qualquer variação amostral pode inverter a liderança
  • O eleitor indeciso e o voto útil decidirão a eleição
  • Eventos de campanha nas próximas duas semanas têm peso desproporcional

Mas o efeito mais relevante aparece quando se cruza intenção de voto com avaliação de governo.

O eleitor “regular” virou a chave do pleito

Os 26% que avaliam o governo como “regular” não se alinham automaticamente a nenhum dos dois polos. São eleitores que:

  • Não rejeitam a gestão atual, mas não a endossam
  • Podem migrar para o candidato que transmitir mais segurança econômica
  • Tendem a decidir nos últimos dias — ou na urna

Historicamente, esse segmento quebra para o desafiante quando a economia dá sinais de desgaste, e para o titular quando há percepção de estabilidade. O dado de “regular” subiu dois pontos. Leitura: o eleitorado está menos polarizado nas extremidades e mais concentrado no centro.

Cenários para os próximos dias

Três variáveis devem ditar o ritmo até o dia da votação:

  1. Debates e sabatinas: desempenho dos candidatos na TV ainda move de 1% a 2% do eleitorado flutuante
  2. Indicadores econômicos de outubro: inflação, emprego e renda real funcionam como âncora para o voto “regular”
  3. Máquina partidária e logística de transporte no dia 26: em eleições apertadas, comparecimento diferencial decide

O registro no TSE sob o número BR-08535/2026 garante a rastreabilidade metodológica. A encomenda coube a Globo e O Globo, o que padroniza a divulgação nos principais veículos do país.

O que observar daqui para frente

Se a tendência de redução da diferença entre aprovação e desaprovação se mantiver — caiu de três para um ponto em uma semana —, o governo entra na reta final com vento a favor, ainda que fraco. Para o empresariado e investidores, o sinal prático é: planeje cenários para os dois resultados. A probabilidade estatística de virada de qualquer lado, nos próximos levantamentos, é real e documentada. A próxima Quaest, se houver, dirá se o movimento de um ponto virou trajetória ou ruído.