Economia

MEI: Teto sobe e dívidas são perdoadas — o que muda no seu bolso agora

Empreendedor MEI comemora aprovação de novo teto de faturamento e anistia de dívidas
Câmara aprova projeto que eleva teto do MEI para R$ 144 mil e perdoa dívidas tributárias.

A Câmara dos Deputados aprovou por ampla maioria — 461 votos a 4 — o projeto que eleva o teto de faturamento do MEI e anistia dívidas tributárias de microempreendedores. A medida segue agora para sanção presidencial e pode entrar em vigor ainda este ano.

Para quem fatura até R$ 81 mil anuais, a mudança parece distante. Mas o texto aprovado mexe em alíquotas, prazos e até na forma como o Simples Nacional trata o cruzamento de dados. O impacto real depende de detalhes que a maioria dos contadores ainda está decifrando.

O que o projeto muda na prática

O novo teto de faturamento sobe para R$ 144,9 mil por ano — quase o dobro do limite atual. Com isso, o MEI deixa de ser enquadrado automaticamente no Simples Nacional ao ultrapassar R$ 81 mil e ganha uma faixa de transição.

Outro ponto central: a anistia de multas e juros para dívidas com a Receita Federal até 31 de dezembro de 2023. O perdão vale para débitos apurados no PGMEI, desde que o contribuinte regularize a situação em até 90 dias após a publicação da lei.

  • Novo teto: R$ 144,9 mil/ano (R$ 12.075/mês)
  • Anistia: multas e juros de dívidas até dez/2023
  • Prazo de adesão: 90 dias após sanção
  • Alíquota única: mantida em 5% sobre o faturamento excedente a R$ 81 mil

Por que a pressa na votação

A proposta tramitou em regime de urgência e foi votada em sessão única. Parlamentares da base governista argumentaram que a medida atende a uma demanda histórica do setor — mas o timing, às vésperas de ano eleitoral municipal, não passou despercebido.

O relator incluiu um dispositivo que permite ao MEI contratar até dois empregados, contra um único funcionário permitido hoje. A mudança atende a uma reivindicação antiga de setores como alimentação e beleza, onde a sazonalidade exige mão de obra temporária.

O efeito nos pequenos negócios

Empresas que já faturam entre R$ 81 mil e R$ 144 mil deixam de precisar migrar imediatamente para microempresa (ME). Ganham fôlego de caixa: a alíquota de 5% sobre o excedente é menor que a carga padrão do Simples para MEs na maioria das atividades.

Mas há armadilhas. O cruzamento de dados da Receita Federal passa a monitorar com mais rigor a emissão de notas fiscais e a compatibilidade entre faturamento declarado e movimentação bancária. Quem não emitir nota para consumidor final pode cair na malha fina.

Cenários para os próximos meses

Se sancionado sem vetos, o texto valerá para o ano-calendário de 2024. Contadores recomendam que MEIs já prossem suas planilhas: quem deve fechar 2024 acima de R$ 81 mil precisa decidir se permanece no novo MEI ou antecipa a migração para ME.

A Receita Federal deve publicar norma regulamentando a adesão à anistia nas próximas semanas. O prazo de 90 dias começa a contar da publicação no Diário Oficial — não da aprovação na Câmara.

O que observar daqui pra frente

Três pontos merecem atenção imediata: a eventual veto presidencial ao parcelamento de dívidas não perdoadas, a regulamentação da contratação do segundo empregado (que depende de portaria do Ministério do Trabalho) e a atualização dos sistemas do PGMEI para calcular a nova alíquota progressiva. Quem se antecipar à burocracia evita multas por erro de preenchimento — justamente o que a anistia tenta corrigir.