A Petrobras alcançou pela primeira vez a marca de R$ 800 bilhões em valor de mercado nesta quarta-feira, consolidando um avanço de R$ 100 bilhões em apenas duas semanas. A escalada foi turbinada pela combinação de um barril de petróleo em alta histórica e o otimismo do mercado com o cenário eleitoral doméstico.
As ações preferenciais (PETR4) fecharam o dia cotadas a R$ 58,11, alta de 2,22%, enquanto as ordinárias (PETR3) avançaram 1,94%, a R$ 65,02. Mas o que sustenta esse ritmo alucinante nos próximos meses?
O motor duplo: petróleo a US$ 106 e rali eleitoral
Dois vetores explicam a velocidade da valorização. No front externo, o barril do tipo Brent acumula alta de 75% no ano, negociado a US$ 106,06, reflexo direto do conflito entre Estados Unidos e Irã iniciado no fim de fevereiro. Como a receita da petroleira é dolarizada, cada dólar a mais no barril engorda o caixa e atrai compradores.
Internamente, o resultado do primeiro turno das eleições provocou uma onda de compras na B3. Desde o início do mês, os papéis preferenciais já saltaram 16% e as ordinárias, 19%. Em 2026, as ações com voto mais do que dobraram, com valorização de 105,3%.
O clube dos R$ 100 bilhões ganha novos sócios
A maré alta não beneficiou apenas a estatal. A B3 passou a contar com 12 empresas valendo mais de R$ 100 bilhões. Duas estreantes chamam a atenção pela velocidade da entrada:
- Sabesp: saiu de R$ 99,5 bi (em 2 de outubro) para R$ 114,7 bi;
- B3 (a bolsa): pulou de R$ 94,97 bi para R$ 113,7 bi no mesmo período.
O movimento reflete a entrada de capital externo em ativos de risco brasileiro, impulsionada pela queda do dólar nas últimas sessões.
Ranking da B3: BTG ultrapassa Vale e assume o bronze
No topo, a Petrobras lidera isolada na América Latina. O Itaú Unibanco mantém a vice-liderança, avaliado em R$ 570 bilhões. A grande virada ocorreu na terceira posição: o BTG Pactual, de André Esteves, superou a Vale e agora vale R$ 309,6 bilhões.
A mineradora, por sua vez, recuou para R$ 285 bilhões. Dois fatores pesaram: a queda de cerca de 9% no minério de ferro desde meados de agosto e a realização de lucros por investidores estrangeiros. Estes haviam comprado exportadoras (Vale, Suzano, Embraer) como proteção contra um dólar forte; com a moeda americana enfraquecendo, a tese perdeu força e os papéis corrigiram.
Os dez maiores pesos-pesados da bolsa hoje
Confira a composição do topo da tabela (valores de mercado aproximados):
- 1. Petrobras: R$ 800 bi
- 2. Itaú: R$ 570 bi
- 3. BTG Pactual: R$ 309,6 bi
- 4. Vale: R$ 285 bi
- 5. Weg: R$ 213,2 bi
- 6. Bradesco: R$ 213,1 bi
- 7. Ambev: R$ 166 bi
- 8. Axia: R$ 166,4 bi
- 9. Banco do Brasil: R$ 138,4 bi
O que observar daqui para frente
O fechamento do primeiro turno removeu parte da incerteza política, mas o segundo turno mantém o mercado atento a sinais de política fiscal. No radar imediato, dois movimentos merecem monitoramento contínuo: a sustentação do petróleo acima de US$ 100 — que depende de geopolítica, não de fundamentos de oferta — e a trajetória do câmbio.
Além disso, a recente decisão do governo de zerar impostos federais sobre a gasolina e ampliar a subvenção ao diesel altera a dinâmica de preços da refinaria. Para o investidor, a equação agora é: até onde o barril externo compensa a intervenção interna nos derivados? A resposta ditará se os R$ 800 bilhões são teto ou piso.
