Economia

Rali da saúde: UBS vê fundamentos e projeta nova alta de até 20%

Gráfico mostra rali ações saúde 17-33% com queda juros 175 pontos-base UBS BB
Análise UBS BB: queda de 175 pb nos juros longos impulsiona alta de 17-33% no setor de saúde.

O rali das ações de saúde após o primeiro turno não foi irracional. Modelos do UBS BB confirmam que a queda dos juros explica quase toda a valorização recente — e sobra espaço para mais.

Entre meados de setembro e início de outubro, a curva de juros longa recuou 175 pontos-base. No mesmo período, os papéis do setor subiram entre 17% e 33%. A conta fecha.

Dois motores, uma só direção

A análise identifica dois canais simultâneos impulsionando os preços. O primeiro é a redução do custo de capital: juros longos menores aumentam o valor presente de fluxos de caixa longos, típicos de hospitais e redes.

O segundo canal atinge o resultado financeiro. A queda da Selic reduz despesas com dívida, beneficiando diretamente as empresas mais alavancadas. Hapvida e Dasa são os casos clássicos desse efeito.

O que os modelos diziam vs. o que a bolsa fez

O banco cruzou a variação da curva com seus valuations. O resultado mostra uma aderência rara entre teoria e prática:

  • Rede D’Or (RDOR3): 23% estimado vs. performance real próxima;
  • Bradesco Saúde (SAUD3): 22% estimado;
  • Hapvida (HAPV3): 25% estimado;
  • Fleury (FLRY3): 24% estimado;
  • Dasa (DASA3): 32% estimado — a maior alta projetada.

Em nenhum caso a bolsa “passou do ponto”. A reação ficou contida ao que os fundamentos justificavam.

O que já está no preço e o que vem por aí

Segundo o UBS, o impacto da queda dos juros curtos (Selic) já foi amplamente absorvido. Daqui para frente, o vetor decisivo muda de figura: deixa de ser o resultado financeiro e passa a ser a percepção de risco do Brasil, refletida nos juros longos (NTN-B 10 anos).

O cenário base do banco prevê o título de dez anos caindo dos atuais 12,5% para 11,8% — uma compressão adicional de 75 pontos-base. Se confirmado, o potencial extra seria assimétrico:

  • BradSaúde (SAUD3): +11%;
  • Rede D’Or (RDOR3): +10%;
  • Fleury (FLRY3): +10%;
  • Hapvida (HAPV3): +7%;
  • Dasa (DASA3): +7%.

Em um cenário mais otimista, com a taxa em 11,3%, os ganhos adicionais dobram: BradSaúde sobe 20%, Rede D’Or e Fleury 17%, Dasa 13% e Hapvida 12%.

Rede D’Or: liquidez e desconto raro

A Rede D’Or concentra a preferência estrutural. A ação negocia cerca de US$ 60 milhões por dia — volume disparado frente aos pares —, funcionando como o veículo natural para quem quer exposição ao setor.

Além da liquidez, o papel ainda carrega um desconto de aproximadamente 29% em relação ao valor justo calculado com a curva atual. É uma das maiores distorções da cobertura.

A assimetria escondida no Bradesco Saúde

Mas a maior oportunidade relativa, segundo os modelos, está em SAUD3. A sensibilidade ao custo de capital é a mais alta do universo analisado: a queda de 175 pontos-base nos juros longos eleva o valor justo em 24%.

O desconto atual frente ao modelo ajustado beira 46%. Muito acima dos 29% da Rede D’Or e dos 10% da Hapvida. Para o investidor que aposta na continuidade da melhora do risco Brasil, a assimetria risco-retorno é a mais atraente.

Alavancagem como alavanca de lucro

No polo oposto, Hapvida e Dasa brilham se a Selic cair mais. Uma redução de 100 pontos-base nos juros curtos incha o lucro projetado para 2027 em 14% na Dasa e 8% na Hapvida.

São empresas onde a melhora do resultado financeiro ainda move a agulha com força. Diferente da Rede D’Or ou BradSaúde, cujo valor responde mais à taxa de desconto do que ao endividamento.

O que observar nas próximas semanas

O gatilho imediato não é mais a reunião do Copom, mas o comportamento da curva longa. Leilões de NTN-B, fluxo externo e a tramitação do arcabouço fiscal ditam o ritmo.

Se o juro real de longo prazo mantiver a trajetória de queda, o setor de saúde tende a liderar a próxima perna de alta do Ibovespa — com protagonismo dividido entre quem tem duration (Rede D’Or, BradSaúde) e quem tem alavancagem (Hapvida, Dasa). O desconto médio da cobertura ainda oferece margem de segurança rara em bolsa.