Economia

O segredo que ninguém conta: por que corretoras de cripto estão saindo do Brasil

Corretora de criptomoedas fechando as portas no Brasil devido à nova regulação do Banco Central
Nova regulação do Banco Central força corretoras de cripto a fecharem ou se fundirem até outubro.

O Banco Central endureceu as regras para empresas de criptoativos e o efeito já é visível: corretoras conhecidas encerraram atividades enquanto outras correm para se fundir. O prazo para pedir licença termina em 30 de outubro e o mercado assiste a uma reorganização silenciosa.

O volume negociado no primeiro semestre de 2026 reached R$ 283 bilhões, sendo R$ 177,6 bilhões apenas por intermédio de corretoras. Stablecoins como USDT e USDC lideraram as operações, seguidas pelo bitcoin. Por trás desses números, however, uma mudança estrutural está em curso.

Quem saiu e quem ficou

Bitnuvem, NovaDAX, Digitra.com e Coinext anunciaram o fim das operações neste ano. Juntas, somavam centenas de milhares de clientes e bilhões em volume histórico. A Bitnuvem, por exemplo, atendia mais de 80 mil usuários e movimentou R$ 1,5 bilhão em sete anos. A Coinext contava 420 mil clientes e R$ 14 bilhões negociados.

Outras optaram por ajustes: Crypto.com, Bitso e Bity redesenharam serviços. A Bitso fechou parceria com o Mercado Bitcoin, transferindo sua base brasileira. A Bity, com 850 mil usuários e R$ 1 bilhão em custódia, fez o mesmo movimento — “manter uma corretora de varejo sob o novo marco exige investimento dedicado que escolhemos não fazer”, disse a empresa.

O peso do capital mínimo

A regulação cria três categorias de SPSAVs (Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais) com exigências de capital que saltaram frente às consultas públicas de 2024:

  • Intermediárias: R$ 10,8 mi a R$ 25,9 mi (antes: R$ 1 mi)
  • Custodiantes: R$ 12,4 mi a R$ 37,2 mi (antes: R$ 2 mi)
  • Corretoras (duas funções): R$ 16,8 mi a R$ 37,2 mi (antes: R$ 3 mi)

O aumento expressivo pegou empresas de menor porte despreparadas. Diego Pérez, vice-presidente da ABcripto, estima que apenas 15 a 30 dos 45 associados planejam pedir autorização. “Algumas vão se juntar; outras encerram por não ter investimento disponível”, resume.

Além do capital: estrutura completa

Vanessa Butalla, VP do Mercado Bitcoin, alerta que o capital é só o começo. “Precisam se estruturar em segurança cibernética, controles internos, compliance e gestão de riscos. O custo de manutenção da atividade aumenta.”

Para Erik Oioli, do VBSO Advogados, as regras favorecem quem tem escala. “Parte das empresas não buscará licença própria, especialmente quando cripto não é atividade principal e os custos não se justificam.”

Consolidação e a entrada dos bancos

O movimento de fusões acelera. Mercado Bitcoin e Bitso se uniram em setembro; em outubro, o Mercado Bitcoin absorveu clientes da Bity. Nildson Alves, CEO da Onda Finance — primeira em processo formal de autorização no BC —, vê novo desafio: “Se manter competitivo, atrair serviços e desenvolver atendimento personalizado. O cliente vai buscar o que melhor o atende em experiência.”

A expectativa é que bancos tradicionais entrem no segmento, elevando a régua de serviço e tecnologia.

O que observar daqui para frente

O prazo de 30 de outubro definirá quantas empresas efetivamente se licenciam. A lista de autorizadas pelo BC sinalizará quais modelos de negócio sobrevivem. Para investidores e usuários, a recomendação prática é clara: verifique se sua corretora tem pedido de autorização em andamento e acompanhe a solidez do balanço patrimonial divulgado. O mercado que emergir será menor, mais caro para operar — e, em tese, mais seguro.