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Brasileiros abraçam IA nas compras: 72% já usam ou vão usar, mas segurança ainda freia

Brasileiro usando smartphone com assistente de IA para compras online, gráfico mostra 72% de adoção
Brasil é o 2º país que mais adota agentes de IA para compras: 72% dos consumidores já usam ou pretendem usar.

O Brasil saltou para o segundo lugar no ranking global de disposição para compras feitas por inteligência artificial: 72% dos consumidores já usam ou pretendem usar agentes autônomos nos próximos 12 meses. Em 2025, esse número era 39%. A rejeição total despencou de 27% para apenas 6%.

Os dados vêm da segunda edição da Pesquisa Internacional de IA Agêntica, conduzida em maio de 2026 com 8.027 pessoas em sete países. Só a China (86%) supera o Brasil. Mas há um “porém” que todo varejista precisa entender.

Por que o Brasil disparou na frente dos EUA e da Europa

Juan Pablo D’Antiochia, gerente-geral da Global Payments para a América Latina, admite surpresa. Mercados com legislações consumeristas mais rígidas — como o europeu — deveriam, em tese, adotar mais rápido. O que explica o fenômeno brasileiro é mais prosaico: falta de tempo.

“Nas grandes cidades, o consumidor passa o dia na rua, no trânsito, resolvendo mil coisas. Delegar a compra para um agente deixa de ser novidade e vira necessidade urgente”, resume o executivo.

O estudo revela ainda que a nota média de confiança dos brasileiros subiu de 3,18 para 3,80 (numa escala de 1 a 5). Ficamos atrás apenas dos chineses (3,97).

O que ainda trava a adesão total

Metade dos entrevistados cita segurança dos dados de pagamento como barreira principal. Privacidade e uso de dados pessoais aparecem em segundo (45%), seguidos do medo de escolhas erradas do agente (41%).

Para vencer o ceticismo, o mercado precisa entregar quatro garantias concretas:

  • Confirmação prévia de cada compra — 41% exigem
  • Alertas instantâneos de transação — mesma porcentagem
  • Prova de imunidade a ataques cibernéticos — 34%
  • Clareza sobre responsabilidade em caso de erro — 33%

D’Antiochia vê a desconfiança como etapa natural. “Redução de alucinações da IA e ajustes na legislação de consumo vão caminhar juntos para ampliar a adesão”, projeta.

Onde a automação chega primeiro — e quem controla a porta de entrada

A tendência é que produtos comoditizados — mesma marca, mesmo frete, mesma entrega — sejam os primeiros a sair do carrinho humano para o carrinho algorítmico. “Quando tudo é igual, ganha o mais barato ou o promotor mais amigável”, diz o executivo.

Mas a briga maior é outra: quem será a “loja-âncora” do shopping virtual. Grandes varejistas já criam seus próprios agentes para não depender de plataformas externas.

  • Amazon bloqueou o agente Muse (Meta) e desenvolve ferramentas próprias
  • Magazine Luiza lançou o “WhatsApp da Lu”, personal shopper conversacional
  • Mercado Livre testa assistente de compras com busca aprimorada por IA

D’Antiochia compara: “Todo shopping quer ser a loja pela qual você entra obrigatoriamente. Mas, cedo ou tarde, terão de abrir as portas para agentes concorrentes.”

O que observar daqui para frente

Três movimentos definem o próximo ano: a corrida regulatória para definir responsabilidade civil em compras autônomas; a padronização de protocolos de segurança que satisfaçam os 50% que ainda temem fraude; e a disputa entre agentes proprietários (do varejo) e agentes universais (das big techs). Quem resolver a confiança — com confirmação prévia, alertas em tempo real e clareza de responsabilidade — captura o consumidor que já decidiu delegar, mas ainda hesita.