A Meta confirmou uma instabilidade técnica nas métricas de vídeos do Instagram, mas evitou atestar que o erro tenha distorcido o alcance das publicações ou beneficiado alguma candidatura. A falha veio a público após a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentar um relatório interno apontando desequilíbrio nos números.
O documento do PT revela que a página de Flávio Bolsonaro (PL) registrou, em média, 2,96 vezes mais engajamento que a do presidente, mesmo possuindo 17,2% menos seguidores. A diferença levantou suspeitas de que o algoritmo estaria colocando a campanha petista em desvantagem no segundo turno.
O que os números mostram
Além da disparidade no engajamento, a equipe de comunicação do presidente identificou uma anomalia concreta: em pelo menos um Reels oficial, a contagem de curtidas superou o total de visualizações exibido pela plataforma. Como o Instagram não exige tempo mínimo de permanência para contabilizar uma view, o dado soa como evidência de erro na medição.
Éden Valadares, secretário nacional de Comunicação do PT, classificou a situação como ameaça à igualdade de condições entre os candidatos e cobrou transparência da Meta sobre o funcionamento dos sistemas durante o período eleitoral.
Resposta da plataforma: o que foi dito e o que faltou
A Meta reconheceu “um problema técnico afetando algumas métricas de vídeos” e afirmou estar trabalhando para resolver a questão. No entanto, a empresa não informou:
- Quais vídeos ou perfis foram atingidos
- A dimensão real da falha
- Se houve impacto na entrega das publicações aos usuários
- Se o erro beneficiou ou prejudicou alguma candidatura específica
Até o momento, não há confirmação de ação deliberada para reduzir o alcance de Lula ou ampliar o de Flávio Bolsonaro.
Por que a métrica de visualização importa
O modelo do Instagram conta uma visualização assim que o vídeo começa a rodar, sem exigir segundos mínimos de exibição. Isso significa que uma falha na contagem pode inflar ou esvaziar números de forma abrupta, alterando a percepção de performance e, potencialmente, a distribuição algorítmica futura do conteúdo.
Para campanhas que dependem de alcance orgânico para mobilizar eleitores, qualquer distorção — mesmo que não intencional — pode se traduzir em menos eleitores impactados nas semanas decisivas.
O que observar daqui para frente
A correção técnica prometida pela Meta deve normalizar as métricas, mas o episódio expõe a fragilidade de depender de plataformas opacas em períodos eleitorais. Campanhas e observadores devem monitorar se haverá divulgação de relatório de transparência pós-eleição, auditoria independente das métricas afetadas e eventuais posicionamentos do TSE sobre a responsabilidade das big techs na integridade do debate público digital.
