Economia

Leilão do Banco Master: Cadeiras de R$ 5 mil por R$ 1,7 mil e a pegadinha no edital

Cadeiras Herman Miller em leilão do Banco Master com lances a partir de R$ 1.700
Leilão online do Banco Master oferece cadeiras Herman Miller por fração do preço de varejo.

O leilão dos ativos do Banco Master e do Will Bank começa às 9h30 desta segunda-feira (9) com lotes que expõem o contraste entre o luxo corporativo e a liquidação forçada. Cadeiras Herman Miller — ícones de design avaliados em até R$ 5 mil no varejo — recebem lances a partir de R$ 1,7 mil. Mas o valor do martelo é apenas a porta de entrada.

A disputa ocorre 100% online pela plataforma Kwara. O cadastro e a habilitação exigem antecedência mínima de uma hora. Quem entrar despreparado corre o risco de pagar caro por sucata sem garantia.

O fenômeno das cadeiras: desconto de 65% atrai 350 lances

O lote 34 concentra a atenção: 25 unidades do modelo Verus Interwave, da Herman Miller. Até o fim de semana, somavam 350 propostas e valor atual de R$ 44.030 — média de R$ 1.761 por cadeira. No site oficial, o mesmo modelo sai entre R$ 4.841 e R$ 5.058.

Outros cinco lotes trazem modelos Aeron, Cosm e Sayl. A marca é referência em ergonomia e durabilidade, o que explica o apelo mesmo entre compradores que não precisam mobiliar 25 estações de uma vez. Revendedores de móveis corporativos usados costumam monitorar esse tipo de venda para recompor estoque com margem.

Quadros, fritadeiras e o “lixo” que vale dinheiro

O lote 223, com dois quadros decorativos, lidera o número de lances: 665 propostas para um valor atual de R$ 20.620. O volume sugere especulação ou interesse decorativo pulverizado.

O catálogo mistura extremos. No topo, equipamentos de cozinha industrial:

  • Fritadeira combinada: lance inicial de R$ 60,2 mil
  • Máquina de café filtrado: R$ 35,7 mil
  • Fornos industriais: a partir de R$ 47,5 mil

Na base, itens a R$ 20: cúpula de abajur, kit de encanamento, assentos de vaso. Há ainda adegas climatizadas (R$ 13,6 mil), cervejeira (R$ 4,3 mil) e uma chopeira (R$ 1,7 mil). Uma adega com “placa queimada” sai por R$ 700 — aposta para quem tem equipe técnica própria.

Mecânica de leilão: cronômetro que volta e desempate automático

A Kwara encerra os lotes em sequência, com segundos de intervalo. Lances nos instantes finais resetam o timer, garantindo chance de cobertura. Isso alonga a duração real do evento — reserve a manhã.

Regras críticas para o participante:

  • Empate: vence quem ofertou primeiro; lances automáticos prevalecem sobre manuais.
  • Aprovação: a vendedora tem até 5 dias úteis para aceitar ou recusar — mesmo lances abaixo do mínimo vão à análise.
  • Suspensão: o leilão pode ser cancelado a qualquer momento, conforme edital.

A conta real: comissão, taxa administrativa e Pix no dia seguinte

Arrematar por R$ 1.000 custa, na prática, R$ 1.396. A conta inclui 5% de comissão da leiloeira mais despesa administrativa por faixa de valor (R$ 346 nessa faixa). O pagamento via Pix ou créditos Kwara vence em um dia útil após a aprovação.

Inadimplência acarreta multa de 35% (5% comissão + 30% do lance), bloqueio na plataforma, risco de negativação e ação judicial. Não há parcelamento.

Condição “as is”: sem garantia, senhas bloqueadas e retirada por sua conta

Os bens são vendidos no estado em que se encontram. O edital lista explicitamente: avarias, desgaste, peças faltantes, manuais ausentes, senhas de acesso bloqueadas e até classificação como sucata. Fotos e descrições são “ilustrativas” — não servem de parâmetro real.

A retirada ocorre em galpão na cidade de Taboão da Serra (Grande SP), mediante agendamento e nota de venda. O comprador arca com mão de obra, desmontagem, transporte, impostos e ferramentas. Não há retirada parcial: leva tudo de uma vez.

Segundo leilão em novembro e o que observar daqui pra frente

Uma segunda rodada com 250 lotes encerra em 30 de novembro, a partir das 13h30. O perfil é semelhante: mobiliário, tecnologia e itens de copa.

Para quem acompanha o desdobramento dos ativos ligados a Daniel Vorcaro, dois pontos merecem radar nas próximas semanas: a taxa de aprovação das ofertas pela vendedora — que pode rejeitar lances considerados baixos — e a eventual liberação de novos lotes imobiliários ou de maior valor, que costumam aparecer em fases posteriores de liquidação judicial. Quem tem estrutura logística e capital de giro para absorver o custo total (lance + taxas + frete) em 24 horas é quem efetivamente acessa o desconto real.