A chinesa Huaxin acertou a compra da CSN Cimentos por R$ 12,7 bilhões, valor que inclui cerca de R$ 3 bilhões em dívidas assumidas. O contrato foi assinado no sábado (7) e representa uma das maiores operações de fusão e aquisição do ano no Brasil.
Para o grupo CSN, de Benjamin Steinbruch, o negócio é um alívio direto no balanço. A dívida consolidada da companhia gira em torno de R$ 42 bilhões, e esta venda tira peso significativo dos ombros da siderúrgica.
Por que a Huaxin saiu na frente da Votorantim
A disputa foi acirrada. A Huaxin competia com um consórcio formado pela Votorantim e pela italiana Cementir, conforme apurado anteriormente com exclusividade.
O trunfo decisivo dos chineses foi a estrutura de ativos no país. Como a Huaxin possui apenas pedreiras no Brasil, a análise do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) tende a ser mais rápida e sem grandes restrições.
Se a Votorantim vencesse, a sobreposição de mercado exigiria remédios antitruste complexos, o que alongaria o processo e aumentaria o risco de execução.
Os números que importam para o investidor
- Valor total da transação: R$ 12,7 bilhões (enterprise value).
- Dívida assumida pelo comprador: ~R$ 3 bilhões.
- Dívida bruta da CSN (pré-venda): ~R$ 42 bilhões.
- Assessores: Morgan Stanley (vendedor) e Itaú BBA (comprador).
A entrada de caixa líquido permite à CSN respirar na estratégia de desalavancagem. A pressão imediata por vender outros ativos “a qualquer preço” diminui consideravelmente.
Efeito cascata: infraestrutura e ativos europeus
Com o cheque da Huaxin no bolso, a CSN ganha tempo para negociar sua divisão de infraestrutura. Antes, a venda era urgente; agora, o grupo avalia se vende parte ou a totalidade do negócio sem a pressa de meses atrás.
Recentemente, a siderúrgica já havia se desfeito de um ativo de aço na Alemanha por cerca de R$ 3 bilhões. Restam no radar europeu duas unidades em Portugal e uma na Espanha, mas a expectativa de arrecadação com esses três é bem inferior ao valor obtido no mercado alemão.
O que observar daqui para frente
O próximo marco regulatório é a aprovação do Cade. Dado o baixo sobreposição de mercado, a tendência é celeridade, mas prazos regulatórios sempre carregam incerteza.
Para o mercado de cimento, a entrada de um player chinês com apetite de crescimento pode alterar a dinâmica de preços e investimentos em capacidade ociosa. Para o acionista da CSN, o foco muda da sobrevivência do balanço para a execução do plano estratégico dos ativos remanescentes.
