Cultura

Monaco de Filipe Luís desaba: 2 meses sem vencer e a conta que não fecha

Filipe Luís preocupado na beira do campo durante jogo do Monaco na Ligue 1
Monaco acumula 60 dias sem vencer e Filipe Luís pressionado no cargo.

O Monaco de Filipe Luís completa 60 dias sem vitória na Ligue 1 e a paciência da diretoria monegasca começa a se esgotar. O time que liderava o campeonato em setembro agora ocupa a sétima posição, cinco pontos atrás do PSG.

A próxima partida, contra o Le Mans fora de casa, deixou de ser apenas mais um jogo. Virou referendo sobre a continuidade do projeto.

O colapso em números

Desde o triunfo por 2 a 1 sobre o Lens, em 18 de setembro, o Monaco disputou 12 pontos e conquistou apenas dois. O retrospecto recente expõe a gravidade da queda:

  • Empates: Lille (1 a 1) e Toulouse (2 a 2)
  • Derrotas: Paris FC (1 a 3) e Lorient (0 a 1)
  • Aproveitamento no período: 16,7%
  • Queda na tabela: 1º → 7º lugar

Para efeito de comparação, na temporada passada o clube somava 17 pontos após nove rodadas. Este ano, parou nos 15. A regressão é mensurável e preocupa investidores que apostavam na valorização do elenco.

Diagnóstico do próprio técnico

Após a goleada sofrida para o Paris FC, Filipe Luís foi direto ao ponto. “Não acho que seja problema de motivação. A atitude foi positiva, e achei até que exageramos às vezes, principalmente na pressão. A gente vai com tudo quando não é necessário. Precisamos nos acalmar um pouco”, declarou o treinador.

A leitura interna aponta para ansiedade tática. O time pressiona alto de forma desorganizada, abre espaços nas costas dos volantes e pune a si mesmo em transições adversárias. O ajuste fino — entre intensidade e controle — virou a prioridade da comissão técnica nos treinos desta semana.

O contraponto europeu

Curiosamente, a Conference League funciona como antídoto momentâneo. Três jogos, três vitórias, nove pontos e 100% de aproveitamento. O Monaco divide a liderança isolada do grupo com Lugano, Panathinaikos e Twente — os únicos quatro times com campanha perfeita na competição.

O torneio, criado em 2021 como terceira prateleira continental, reúne clubes que ficaram fora da Champions e da Europa League. O último campeão foi o Crystal Palace. Para a diretoria monegasca, o desempenho europeu serve de argumento para manter o planejamento. Mas não apaga o incêndio doméstico.

Contexto histórico pesa

O Monaco não ergue a taça da Ligue 1 desde 2016/17, época de Leonardo Jardim no banco e Mbappé no auge da formação. De lá para cá, o clube oscilou entre vice-campeonatos e meias de tabela. A última temporada terminou em sétimo — fora até da Conference League, vaga conquistada via copa nacional.

Filipe Luís chegou com a missão de quebrar o ciclo. O início sugeria que o método funcionava. O momento atual testa a solidez do projeto.

O que observar nas próximas rodadas

Três indicadores dirão se a crise é passageira ou estrutural:

  • Resultado contra o Le Mans — derrota ou empate estende a seca para nove jogos
  • Evolução do xG (gols esperados) a favor e contra — métrica que separa azar de mau jogo
  • Gestão do elenco na rotação entre Ligue 1 e Conference League — lesões podem acelerar decisões

O mercado já precificou incerteza. A janela de janeiro se aproxima e a diretoria terá de decidir se reforça o plantel atual ou prepara terreno para nova troca de comando. A resposta passa, obrigatoriamente, pelo gramado do Le Mans amanhã.