Um humanoide vestido de Papai Noel gaúcho entrou em um CTG no Vale do Sinos e roubou a cena. O robô Tenório, criado pela Ultech School/Ulbra, estreou sua pilcha natalina em um jantar beneficente — e mostrou que inovação e tradição podem dividir o mesmo palco.
A apresentação aconteceu nesta quarta-feira (4) em Estância Velha, durante evento em prol do Hospital Municipal Getúlio Vargas. Mas o que parecia apenas uma ação natalina carrega um recado mais profundo sobre o papel da tecnologia na cultura regional.
O “Papai Noel” que fala a língua do pampa
Tenório não é novato em eventos tradicionalistas. Em setembro, o robô já havia desfilado com bombacha, camisa e lenço no Acampamento Farroupilha e no estúdio do Jornal do Almoço. A diferença agora: o traje vermelho de Natal, costurado sob medida para não travar seus movimentos.
“Preparamos a fantasia de modo a manter a mobilidade característica de um humanoide”, explica Vânia Vargas, de Esteio, responsável pela confecção. O detalhe técnico revela o cuidado: metais e circuitos convivendo com lã e couro sem comprometer a performance.
Ao lado dele, um “cusco” robótico — cachorro com lenço no pescoço — completava a dupla. Juntos, interagiram com o público e dançaram ao som de “Tenório”, música gravada pelo cantor Rodrigo Silva em homenagem ao próprio androide.
Tecnologia a serviço da identidade, não do substituto
A diretora-executiva da Ultech School/Ulbra, Évelin Janner, resume a filosofia por trás do projeto:
“A tecnologia precisa estar conectada às pessoas, à cultura e à realidade em que vivemos. Ela não deve ser vista como algo que substitui a tradição, mas como uma ferramenta capaz de valorizá-la e aproximá-la das novas gerações.”
A fala ecoa o que especialistas em inovação social vêm defendendo: soluções tecnológicas ganham adesão quando respeitam códigos culturais locais. No Rio Grande do Sul, onde o tradicionalismo move multidões, um robô de pilcha fala mais alto que qualquer palestra sobre transformação digital.
Evento misturou estrelas da música e solidariedade
O jantar no CTG Gaudérios da Saudade não teve apenas o robô como atração. O palco recebeu:
- Os Monarcas — ícones da música gaúcha
- Hermanos Guedes — dupla referência no nativismo
- Projeto Taureando — novo nome da cena tradicionalista
- Participações de Paulo Dias Garcia e Wagner Schneider
A promoção coube à Associação Gaúcha Estanciense (AGE), que reúne quatro entidades do município: CTG Gaudérios da Saudade, CTG Estância do Campo Grande, CTG Mourão da Estância e CTG Serigote.
O pontapé de uma corrente de solidariedade estadual
O evento marcou o lançamento das inscrições para as Cavalgadas do Bem, mobilização que une cavaleiros e entidades em todo o RS. A iniciativa da RBS TV e Rede Banco de Alimentos está marcada para 12 de dezembro, com saídas simultâneas em diversas cidades.
O CTG anfitrião também funciona como ponto de coleta da campanha Natal do Bem. Quem quiser participar das cavalgadas pode se inscrever no site oficial: cavalgadasdobem.com.br.
O que observar daqui para frente
A presença de Tenório em eventos de massa sinaliza um movimento: robôs saindo de laboratórios e feiras técnicas para ocupar espaços de convivência cultural. Se a recepção no Acampamento Farroupilha e no jantar beneficente serve de termômetro, a aceitação passa longe da desconfiança — há curiosidade, afeto e até orgulho local.
Para empresários e gestores de inovação, o caso ensina: tecnologia que veste a camisa da identidade regional não precisa pedir licença para entrar. Ela já chega dançando.
