Economia

Governo prepara mudança radical na mistura de combustíveis: o que muda no seu bolso

Tanque de combustível em refinaria com mistura de etanol e gasolina sendo testada
Nova proposta prevê mistura de etanol e biodiesel diretamente nas refinarias, alterando a logística nacional.

O Palácio do Planalto articula uma alteração estrutural na cadeia de abastecimento: a mistura de etanol e biodiesel passaria a ocorrer dentro das refinarias, não mais nas distribuidoras. A proposta entra em pauta no CNPE nesta sexta-feira (6) e pode redesenhar custos logísticos de ponta a ponta.

Hoje, a gasolina sai da refinaria “pura” (gasolina A) e recebe etanol anidro apenas nos terminais de distribuição. A ideia é inverter essa lógica: o combustível já sairia pronto para o consumidor final.

Por que isso importa para quem paga a conta

A mudança ataca diretamente o custo de mover dois produtos separados por milhares de quilômenos. Menos caminhões, menos tanques, menos manuseio. Na conta do governo, a simplificação logística reduz pressão sobre o preço final — desde que a economia seja repassada.

Outro ganho esperado é o controle de qualidade. Padronizar a mistura na origem elimina variações entre distribuidoras e facilita a fiscalização da ANP. Rastreabilidade total, do tanque da refinaria à bomba do posto.

O que já foi testado e o que vem pela frente

Não é a primeira vez que o tema surge. Em 2019, o governo anterior já propunha permitir a mistura nas plantas de refino. Agora, a diferença é o alinhamento com a ANP, que no mês passado restringiu a comercialização de biodiesel entre distribuidoras por 24 meses — medida que, segundo a agência, reduziu inconsistências em mais de 579 mil metros cúbicos no período anterior.

  • Mistura na refinaria: gasolina C sai pronta da planta
  • Logística: um produto único em vez de dois fluxos paralelos
  • Fiscalização: rastreabilidade unificada, menos brechas
  • Preço: potencial queda se ganhos forem repassados

Outros itens na mesa do CNPE

A reunião não se resume a biocombustíveis. O conselho deve votar o Plante (Plano Nacional de Transição Energética 2026–2029), diretrizes para reduzir dependência de fósseis e a estratégia nacional de dados energéticos até 2031.

Também entram em discussão grupos de trabalho para eletromobilidade — infraestrutura de recarga, impacto na rede, cadeia de baterias — e aproveitamento energético de resíduos, onde Meio Ambiente e Saneamento divergem sobre incineração.

Gás de cozinha e programa Mover completam a pauta

Haverá votação sobre rastreabilidade de botijões e combate a fraudes no Gás do Povo. No Mover, a indústria pede transição mais suave: 24% de renovável nos dois primeiros anos de apuração, subindo para 28,7% nos três seguintes, em vez de 28,7% desde o início.

O que observar nas próximas semanas

Se o CNPE aprovar a diretriz, a ANP terá a missão de regulamentar a mistura no refino. O prazo para implementação não foi divulgado, mas a agência já demonstrou capacidade de agir rápido — vide a restrição ao biodiesel entre distribuidoras, em vigor desde maio.

Para o empresário do setor, o sinal é claro: a cadeia de abastecimento vai enxugar elos. Quem opera logística, armazenagem ou distribuição precisa mapear agora onde ficam os ganhos — e onde surgem novos riscos de compliance.