A FGV-EAESP, reconhecida como a melhor escola privada de administração do Brasil pelo RUF, iniciou uma seleção aberta ao mercado internacional para definir seu próximo diretor. O movimento rompe com a tradição nacional de nomeações internas e espelha o modelo praticado em universidades de ponta nos Estados Unidos. O comitê de busca, já em posse de cerca de 20 currículos vindos de três continentes, tem até janeiro de 2027 para fechar a escolha.
Um comitê de peso e um modelo importado dos EUA
A professora Maria Tereza Leme Fleury, que comandou a unidade entre 2008 e 2015, preside o grupo responsável pela triagem. Ao seu lado estão nomes de forte influência no cenário corporativo e educacional: os professores Maria José Tonelli e Marco Antônio Teixeira, o ex-CEO do Itaú Unibanco Candido Bracher e a presidente do Todos pela Educação, Priscila Cruz.
A presença de executivos de mercado no colegiado sinaliza a direção estratégica da escola. Não basta currículo acadêmico; o escolhido precisa demonstrar capacidade de gestão orçamentária e entrega de resultados para a fundação. A fluência em inglês é obrigatória, mas a presidente do comitê fez questão de frisar: o domínio do português é inegociável.
O perfil híbrido que elimina a maioria dos candidatos
O edital desenha um alvo estreito. Para entrar na disputa, o profissional precisa preencher requisitos que combinam prestígio científico com vivência executiva. Veja o que é exigido:
- Titulação de doutor com produção acadêmica relevante e reconhecida internacionalmente;
- Experiência comprovada em gestão acadêmica, institucional ou projetos de complexidade equivalente;
- Atuação profissional destacada nas comunidades nacional e internacional;
- Fluência plena em inglês e português.
Essa combinação descarta perfis puramente teóricos ou gestores sem lastro de pesquisa. A escola, fundada em 1954 e detentora das principais acreditações globais, busca quem consiga manter a sustentabilidade financeira sem abrir mão da excelência nos cursos de graduação, mestrado e doutorado em administração, administração pública e ciências contábeis.
Prazo curto, exigência bilíngue e a meta de janeiro de 2027
Os interessados têm até 13 de novembro para submeter o currículo. Após essa etapa, o comitê conduz entrevistas individuais com os selecionados. A previsão é que o sucessor do professor Luiz Artur Ledur Brito seja anunciado no primeiro mês de 2027.
Até o momento, a lista de inscritos inclui brasileiros radicados no exterior e estrangeiros de instituições dos Estados Unidos e da Europa. A internacionalização da busca é tratada como um diferencial competitivo pela direção da FGV, que enxerga no novo líder a chave para expandir a rede de parcerias globais da escola.
O que observar nos próximos meses
A definição do novo diretor servirá de termômetro para o ensino superior privado no país. Se a aposta no “executivo-acadêmico” bilíngue der certo, a tendência é que outras instituições de elite repliquem o modelo de governança aberta ao mercado global. Para o ecossistema de negócios, vale monitorar como a nova gestão vai equilibrar a expansão de receitas — via educação executiva e parcerias corporativas — com a manutenção do rigor científico que sustenta o topo dos rankings nacionais.
