Economia

Você não vai acreditar: Entrada de dólares bate recorde histórico após eleição

Gráfico mostra entrada recorde de 18,151 bilhões de dólares no Brasil em outubro durante período eleitoral
Brasil registra maior entrada mensal de dólares do ano em outubro de 2022: US$ 18,15 bi.

O Brasil registrou a maior entrada mensal de dólares do ano em outubro: US$ 18,151 bilhões. O dado surpreende porque coincide com o período eleitoral mais tenso da história recente, sugerindo que o mercado reagiu de forma oposta ao pânico inicial.

De onde veio todo esse dinheiro?

O Banco Central divulgou os números preliminares do câmbio contratado nesta quarta-feira (4). O saldo total positivo se divide em dois pilares quase equivalentes, o que revela uma entrada diversificada e não dependente de um único vetor.

  • Canal financeiro: Entrada líquida de US$ 8,812 bilhões. Aqui entram investimentos em carteira, lucros e dividendos, juros e Investimento Direto no País (IDP).
  • Canal comercial: Superávit de US$ 9,339 bilhões. Resultado direto da balança comercial, com exportações superando as importações no mês.

A semana que desafiou as previsões dos analistas

O detalhe mais intrigante está no recorte semanal. Entre 26 e 30 de outubro — dias imediatamente posteriores ao segundo turno — o fluxo líquido foi de US$ 9,498 bilhões.

Na prática, mais da metade do total mensal entrou em apenas cinco dias úteis. Isso ocorreu justo quando a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrubava os ativos brasileiros no primeiro momento, assustando parte dos investidores.

Por que o fluxo inverteu o medo inicial?

Especialistas apontam que a liquidação inicial criou pontos de entrada atrativos para fundos globais. Com a curva de juros real elevada e ativos descontados, o “sangramento” durou pouco. A entrada massiva na semana seguinte sinaliza que o capital estrangeiro viu oportunidade onde o mercado local via risco.

Além disso, o superávit comercial robusto funcionou como âncora. Mesmo com volatilidade cambial, o dólar físico continuou entrando via exportações, impedindo uma desvalorização mais brusca da moeda nacional.

O que observar daqui para frente

Os dados são preliminares e referem-se ao câmbio contratado, ou seja, operações já fechadas mas não necessariamente liquidadas. O próximo relatório do BC confirmará se o movimento se sustentou em novembro.

Dois gatilhos merecem monitoramento constante: a tramitação da PEC da Transição (ou nova âncora fiscal) no Congresso e as decisões de política monetária do Federal Reserve. Qualquer ruído nesses eixos pode reverter o fluxo tão rápido quanto ele apareceu.