Economia

Alto Tietê: 923 vagas em setembro, mas tombo de 40% no ano assusta

Gráfico mostra queda de 40% nas vagas de emprego no Alto Tietê em setembro de 2026
Alto Tietê gera 923 empregos em setembro, mas registra retração de 40,6% frente a 2025

O Alto Tietê fechou setembro de 2026 com saldo positivo de 923 empregos formais, segundo o Caged. O número, porém, esconde uma retração de 40,6% frente ao mesmo mês do ano passado, quando a região gerou 1.553 postos. A diferença de 630 vagas acende um alerta para quem acompanha a economia local.

Foram 16.896 admissões contra 15.973 desligamentos nas dez cidades. O saldo segue no azul, mas a desaceleração é generalizada: apenas duas municípios escaparam da queda anual. O que está por trás dessa divergência entre o resultado mensal e a comparação anual?

Arujá carrega a região nas costas

Se retire Arujá da equação, o saldo regional cai drasticamente. A cidade liderou com folga, abrindo 380 vagas líquidas — alta de 71,2% sobre setembro de 2025. Foram 1.653 contratações ante 1.273 demissões.

Mogi das Cruzes aparece em segundo, com 272 postos, mas recuou 18,1% no comparativo anual. Itaquaquecetuba completa o pódio com 98 vagas, porém despencou 79,2% em relação a 2025, quando havia criado 471.

A virada de Suzano e o fôlego de Santa Isabel

Dois casos chamam atenção pela inversão de tendência. Suzano saiu de um saldo negativo de 56 empregos em 2025 para +99 em 2026. Santa Isabel quase dobrou a aposta: saltou de 25 para 45 vagas, crescimento de 80%.

  • Arujá: +380 (crescimento de 71,2% YoY)
  • Mogi das Cruzes: +272 (queda de 18,1% YoY)
  • Itaquaquecetuba: +98 (tombo de 79,2% YoY)
  • Suzano: +99 (era -56 em 2025)
  • Santa Isabel: +45 (alta de 80% YoY)

O lado vermelho: Poá e Salesópolis puxam o freio

Nem todos comemoram. Poá e Salesópolis fecharam setembro no vermelho. Poá demitiu 11 a mais do que contratou (1.383 desligamentos vs 1.372 admissões). Em 2025, a cidade tinha saldo positivo de 327 — uma virada brusca de 338 postos.

Salesópolis registrou -26 (94 demissões contra 68 admissões), revertendo o +21 do ano anterior. Ferraz de Vasconcelos, embora positivo (+17), viu a geração de empregos derreter 88,4%. Biritiba-Mirim (+8) e Guararema (+41) também perderam força.

O que os números sinalizam para o próximo trimestre

A concentração da geração de empregos em Arujá mascara a fragilidade do restante da região. A queda expressiva em polos industriais como Itaquaquecetuba e Ferraz sugere cautela setorial, não apenas sazonalidade.

Para o empresário ou investidor, o recado é claro: o mercado de trabalho formal da região desacelerou forte em base anual. O foco deve estar na leitura dos dados de outubro e novembro — tradicionalmente mais fortes pelo varejo de fim de ano — para confirmar se a tendência de enfraquecimento se sustenta ou se foi um ponto fora da curva.