A partir de 1º de fevereiro de 2027, abastecer em Mato Grosso do Sul ficará obrigatoriamente mais caro: o ICMS sobre combustíveis sobe em todo o estado. A alíquota do diesel salta 11%, a da gasolina avança 4,5% e o gás de cozinha acompanha a alta. A dúvida que fica é: quanto disso realmente chega na bomba?
Os números que já estão na calculadora
O Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) sacramentou os novos valores por meio dos convênios 127 e 128/2026. A tributação deixa de ser percentual e passa a vigorar em centavos fixos por litro ou quilo — o modelo ad rem previsto na Lei Complementar 192/2022.
- Gasolina: de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro (+R$ 0,07 / +4,46%)
- Diesel: de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro (+R$ 0,13 / +11,11%)
- GLP (botijão 13 kg): de R$ 1,47 para R$ 1,54 por quilo (+R$ 0,07 / +4,76%)
Tradução para o dia a dia: simulações de impacto
Se o reajuste for repassado integralmente — cenário que o mercado nem sempre confirma —, o bolso sente assim:
- Tanque de 50 litros de gasolina: +R$ 3,50 por abastecimento
- Motorista que roda 150 litros/mês: +R$ 10,50 mensais (R$ 126/ano)
- Caminhão com 200 litros de diesel: +R$ 26,00 por parada no posto
- Botijão de 13 kg: +R$ 0,91
Baseando-se na média de outubro de 2026 (R$ 6,28/litro em Campo Grande), a gasolina pularia para R$ 6,35 apenas pelo componente estadual. Mas o preço final é uma equação com mais variáveis.
Diesel: o vilão da logística e do agro
O diesel concentra o maior choque tributário e a maior relevância econômica. Nos cinco primeiros meses de 2026, o derivado respondeu por 61,18% de todo combustível vendido no estado — 859,7 milhões de litros, alta de 5,76% sobre 2025.
Em um estado onde o modal rodoviário escoa a safra e abastece os municípios, o aumento de R$ 0,13 por litro pressiona a planilha de frete. Em abril passado, o diesel já havia disparado 20,85% em Campo Grande em pouco mais de um mês, forçando transportadores a repassar custos ou comprimir margens.
O xadrez tributário: União zera, estados elevam
Enquanto o Confaz aprovava a alta estadual para 2027, o governo federal zerou PIS/Pasep, Cofins e Cide sobre a gasolina em outubro de 2026 — corte de R$ 0,89 por litro, válido por 30 dias, prorrogáveis. São tributos diferentes, calendários diferentes.
O Comsefaz (comitê dos secretários de Fazenda) justifica a atualização como imposição legal: a lei exige que as alíquotas ad rem acompanhem a evolução dos preços. A entidade admite, porém, que a instabilidade internacional do petróleo e a alta do dólar tornam o cenário volátil.
Consumo dá sinais de cansaço
O gás de cozinha (GLP) ilustra a sensibilidade do consumidor. Entre janeiro e maio de 2026, as vendas de botijões de 13 kg em MS somaram 30.443 toneladas — o menor volume para o período desde 2018. Em março, o Sinergás já alertava para reajustes de R$ 5 a R$ 8 por unidade, puxados pelo diesel e pela cadeia logística.
O que observar daqui para frente
O aumento do ICMS é certo, mas o preço na bomba não é automático. Três variáveis definirão o tamanho da conta em fevereiro de 2027:
- Petróleo e câmbio: qualquer disparada internacional anula ou amplifica o efeito do imposto.
- Política federal: a prorrogação (ou fim) da desoneração do PIS/Cofins/Cide muda a base de cálculo.
- Repasse real: postos e distribuidoras absorvem parte da alta ou alongam margens — o histórico recente mostra repasse parcial e escalonado.
Para o empresário do transporte ou do varejo, a recomendação prática é travar contratos de frete com cláusulas de revisão indexadas ao diesel S10 e monitorar a pauta fiscal do Confaz: novas atualizações podem vir sem aviso prévio.
