Economia

O segredo por trás do salto de 21% nas exportações ao bloco europeu…

Gráfico de barras mostra crescimento de 21% nas exportações brasileiras para UE após acordo Mercosul
Exportações brasileiras para a UE crescem 21% nos primeiros 5 meses do acordo comercial

Nos primeiros cinco meses de vigência do tratado comercial entre Mercosul e União Europeia, as vendas brasileiras de produtos com tarifas reduzidas ou zeradas dispararam 21% frente a igual período de 2025. O número impressiona, mas esconde variações ainda mais agressivas em nichos específicos.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) revelam que itens antes marginais no comércio bilateral passaram a liderar o crescimento. A pergunta que fica: quais setores capturaram esse ganho e como replicar o movimento?

O mapa dos ganhos reais: do campo à indústria

O agronegócio puxou a fila com percentuais de três dígitos. Abacates frescos saltaram 421%, mel avançou 367% e óleo de milho cresceu 266%. Maçãs frescas e óleo essencial de laranja também registraram alta expressiva, 29% e 75,8% respectivamente.

Mas a surpresa veio da indústria. Confira os destaques industriais no período:

  • Ferrossilício-manganês: +173%
  • Alumínio em bruto: +107%
  • Óleos combustíveis: +102%
  • Etanol: +95,2%

O caso dos transformadores: de zero a US$ 39 milhões

O dado mais revelador talvez nem seja o percentual, mas a estreia absoluta. Exportações brasileiras de transformadores elétricos — inexistentes no mesmo recorte de 2025 — atingiram US$ 39 milhões entre maio e setembro. A eliminação de barreiras tarifárias abriu uma porta que estava trancada há anos.

Esse movimento sinaliza que a redução de custos de entrada no mercado europeu torna viável a exportação de bens de maior valor agregado, não apenas commodities.

Como acessar os benefícios na prática

O MDIC consolidou no Portal Siscomex a documentação técnica necessária para que empresas cumpram as regras de origem e usufruam das preferências. Quatro manuais orientam o processo:

  • Regras de origem: critérios para elegibilidade tarifária
  • Desgravação tarifária: cronogramas de redução e eliminação de alíquotas
  • Indicações geográficas: proteção de produtos ligados a territórios específicos
  • Tabelas de preferências: consulta das condições negociadas por código NCM

O preenchimento correto da documentação de origem é o gatilho que libera o benefício. Erros nessa etapa travam a liberação na alfândega europeia.

O que muda daqui para frente

O acordo prevê desgravação escalonada ao longo de 10 a 15 anos, dependendo do setor. Produtos sensíveis — como carnes, laticínios e automóveis — têm cronogramas mais longos e cotas anuais. Já itens industriais de alta tecnologia e frutas tropicais tendem a liberar acesso pleno mais cedo.

O bloco europeu reúne 720 milhões de consumidores e PIB combinado superior a US$ 22 trilhões. Para o empresário brasileiro, a leitura estratégica é clara: mapear quais linhas de produto já contam com tarifa zero, preparar a documentação de origem e testar canais de distribuição antes que concorrentes do próprio Mercosul ocupem o espaço.

O próximo marco regulatório ocorre em janeiro de 2027, quando nova rodada de cortes tarifários entra em vigor. Quem já estiver homologado nos sistemas aduaneiros europeus larga na frente.