Saúde

Hospital reaberto após 13 anos fecha emergência e CTI; corte de verba chega a 82%

Fachada do Hospital Municipal Juscelino Kubitschek em Nilópolis com emergência fechada
Hospital reinaugurado há menos de um ano fecha emergência e CTI por corte de 82% na verba estadual

A emergência e o CTI do Hospital Municipal Juscelino Kubitschek, em Nilópolis, foram desativados neste sábado (31), deixando a principal unidade pública da cidade sem atendimento de urgência. A medida ocorre menos de um ano após a reinauguração do hospital, que consumiu R$ 26 milhões em obras estaduais.

O prefeito Abraão David Neto aponta o corte nos repasses do governo do Rio de Janeiro como causa direta. A Secretaria Estadual de Saúde, por sua vez, defende que a nova regra distribui recursos de forma mais equilibrada entre os 92 municípios fluminenses.

O tamanho do corte que paralisou a emergência

Em julho, a resolução estadual revogou o modelo anterior — parcelas fixas de R$ 5,6 milhões por mês — e estabeleceu teto de R$ 1 milhão mensais até dezembro. Na prática, a redução supera 82% no fluxo de caixa destinado ao custeio da unidade.

Segundo a prefeitura, o valor inviabiliza a folha de pagamento das equipes de plantão e a manutenção de insumos críticos para terapia intensiva. Serviços de maternidade, internação clínica e cirurgias eletivas seguem funcionando, bancados por verba federal de Média e Alta Complexidade.

  • Repasse anterior: R$ 5,6 milhões/mês
  • Repasse atual (jul–dez): R$ 1 milhão/mês
  • Queda real: 82,1%
  • Obra de reabertura: R$ 26 milhões (recurso estadual)
  • Tempo fechado antes de 2024: 13 anos

Impacto imediato na Baixada Fluminense

Moradores de Nilópolis e cidades vizinhas perdem a única retaguarda de alta complexidade da região. A aposentada Jocimaria Leal, com marido internado na sala amarela, resumiu o temor coletivo: “Se não vier verba, as pessoas ficam à mercê da própria sorte”.

Pacientes que buscavam atendimento no sábado encontraram portas fechadas e precisaram ser redirecionados a unidades mais distantes, elevando o risco clínico em casos de infarto, AVC e trauma.

Duas versões para o mesmo repasse de setembro

O governo estadual afirma ter creditado R$ 3,3 milhões referentes a setembro dentro do prazo, valor superior ao teto mensal de R$ 1 milhão. A diferença seria composta por parcelas retroativas ou complementares, mas a prefeitura sustenta que o montante não cobre o déficit acumulado desde julho.

A Secretaria Estadual de Saúde alega que os novos critérios foram pactuados com todas as prefeituras e visam descentralizar o financiamento, evitando concentração excessiva em poucos equipamentos.

O que observar nas próximas semanas

Três variáveis definirão se a emergência reabre ainda em 2024: a negociação de suplementação orçamentária junto ao estado, a capacidade da prefeitura de realocar recursos próprios sem comprometer outras áreas e a eventual judicialização do conflito federativo. Enquanto isso, a população da Baixada depende de hospitais em Mesquita, Nova Iguaçu e na capital — unidades que já operam próximas ao limite.