Um ataque histórico à Binance drenou US$ 6 bilhões em ativos durante a madrugada e empurrou o Bitcoin para abaixo de US$ 78 mil, enquanto o Ibovespa caminha para a quarta sessão consecutiva de perdas pressionado pelo balanço frustrante da Vale e pela espera dos dados de emprego no Brasil.
O cenário monta uma tempestade perfeita para o investidor: risco sistêmico nas criptos, frustração no peso-pesado da bolsa local e indicadores macros que podem ditar o rumo dos juros nas próximas semanas.
O maior roubo da história das criptomoedas
Criminosos levaram cerca de US$ 6 bilhões da maior corretora do mundo nas primeiras horas desta sexta-feira (30). A Binance confirmou a invasão, suspendeu saques e prometeu cobrir o prejuízo dos usuários.
A reação de contenção foi imediata: emissores de stablecoins — Tether, Circle e World Liberty Financial — conseguiram congelar aproximadamente metade do valor roubado. Mesmo assim, o mercado entrou em pânico.
O Bitcoin rompeu suportes sucessivos e tocou US$ 77.500, acumulando queda de 2,3% nas últimas 24 horas. O Ethereum acompanhou o movimento, recuando 3,5% para US$ 2.227.
Vale abre a temporada de balanços com tombo de 53%
Enquanto o mundo cripto sangrava, a Vale (VALE3) reportou lucro líquido de US$ 1,25 bilhão no terceiro trimestre, queda de 53% na comparação anual e bem abaixo do consenso de analistas.
Os ADRs da mineradora operam em queda acentuada no pré-mercado em Nova York, sinalizando abertura negativa para o papel no pregão brasileiro. A teleconferência de resultados, prevista para a manhã, será decisiva para calibrar as expectativas sobre fluxo de caixa e dividendos.
PNAD e PIBs globais: o radar macro do dia
No front doméstico, todos os olhares se voltam para a PNAD Contínua das 9h. A mediana do Broadcast projeta taxa de desemprego em 5,2% no trimestre encerrado em setembro, leve melhora ante os 5,3% de agosto.
- 07h: PIB preliminar do 3º tri da Zona do Euro e taxa de desemprego do bloco.
- 22h30: PMIs oficiais da China (industrial, não industrial e composto).
- 00h: Decisão de juros do Banco do Japão.
Dados mais fortes no exterior reforçam a narrativa de “juros altos por mais tempo”, o que pesa sobre ativos de risco emergentes.
Fechamento de quinta e prévia de hoje
O Ibovespa encerrou ontem em queda de 1,06%, aos 169.186 pontos, marcando o quarto pregão seguido no vermelho. O dólar à vista saltou 0,89%, fechando a R$ 5,3878.
Lá fora, o sinal é majoritariamente negativo: futuros do Nasdaq caem 2,3% e o S&P 500 recua 1%. Na Ásia, o Nikkei tombou 2,06%. Em contrapartida, o petróleo avança — Brent a US$ 116,72 e WTI a US$ 103,58 — enquanto o ouro cede 0,75% a US$ 4.001 a onça.
O que observar na próxima semana
A combinação de incerteza regulatória no setor cripto após o hack da Binance, a digestão dos números da Vale e a leitura do mercado de trabalho brasileiro deve manter a volatilidade elevada. Investidores devem monitorar se o congelamento dos ativos roubados será suficiente para restaurar a confiança no ecossistema de stablecoins e se o IPCA-15 de outubro, previsto para os próximos dias, trará alívio ou pressão adicional sobre a curva de juros local.
