A Jetour acaba de desembarcar no Brasil seu modelo mais ambicioso: o G700, um SUV híbrido plug-in de 5,20 metros que entrega 905 cv combinados e acelera de 0 a 100 km/h em 4,8 segundos. O preço inicial de R$ 469.900 coloca o gigante chinês em território inexplorado para a marca. Mas a ficha técnica esconde detalhes que explicam por que este lançamento incomoda concorrentes muito mais caros.
O que 905 cv realmente significam na prática
O conjunto híbrido plug-in (PHEV) combina três motores: um 2.0 turbo a gasolina de 211 cv e dois elétricos — 286 cv no eixo dianteiro e 408 cv no traseiro. O torque total atinge 1.135 Nm (115,7 kgfm), disponível de forma instantânea. Para mover os 3.150 kg da versão de cinco lugares, a Jetour recorreu a uma bateria LFP de 34,13 kWh fornecida pela CATL.
O número que merece atenção: 73 km de autonomia puramente elétrica pelo ciclo Inmetro. É o suficiente para o deslocamento diário de muitos executivos sem queimar uma gota de gasolina. Com tanque cheio (100 litros) e bateria carregada, a marca anuncia até 1.300 km de alcance combinado — dado de fábrica, não homologado.
A recarga rápida em corrente contínua aceita até 170 kW: de 30% a 80% em cerca de dez minutos nas condições ideais. Em wallbox residencial (11 kW), o tempo sobe para aproximadamente três horas.
Duas configurações, propostas distintas
A versão de entrada (R$ 469.900) traz cinco lugares em duas fileiras e porta-malas de 966 litros — expansível a 2.195 litros com os bancos rebatidos. Já a configuração de seis lugares (R$ 499.900) adota layout 2+2+2 com poltronas individuais na segunda fileira, ajustes elétricos e tela de entretenimento no teto de 17,3 polegadas. O bagageiro cai para 224 litros com todas as fileiras em uso.
- Premium 5 lugares: R$ 469.900 — foco em volume de carga
- Premium 6 lugares: R$ 499.900 — foco em conforto dos passageiros
Ambas compartilham o mesmo powertrain, tração 4×4 e pacote tecnológico. A diferença está no uso pretendido: frota executiva familiar ou transporte de clientes VIP.
Estrutura de picape, acabamento de sedã de luxo
Diferente da maioria dos SUVs grandes atuais, o G700 usa chassi de longarinas (body-on-frame) sobre a plataforma GAIA. A solução garante rigidez torcional para o fora-de-estrada sério, mas costuma penalizar o conforto. A Jetour contornou isso com suspensões independentes de braços duplos nos dois eixos e calibração voltada ao isolamento acústico.
Os números off-road impressionam para um veículo desse porte e proposta: 230 mm de vão livre, ângulos de entrada e saída de 35° e 28°, travessia de até 900 mm de água com monitoramento de nível. O sistema oferece oito modos de condução — Eco, Normal, Sport, X, Lama, Neve, Areia e Pedra — além de bloqueios de diferencial eletrônicos, modo rastejamento e Tank Turn (giro no próprio eixo).
Nota importante: a suspensão pneumática disponível na China foi descartada no Brasil para reduzir custo e aumentar robustez. A marca trocou sofisticação por confiabilidade em nossas estradas.
Tecnologia que briga com alemães de R$ 1 milhão
O interior aposta no exagero calculado. Uma tela curva de 35,4 polegadas percorre a base do para-brisa, funcionando como painel de instrumentos e central de informações do passageiro. Ao centro, multimídia de 15,6 polegadas. O sistema de som Lexicon (Harman) tem 18 alto-falantes com áudio 3D.
Bancos dianteiros com ventilação, aquecimento, massagem e ajustes elétricos múltiplos. Carregador por indução de 50 W. Apple CarPlay e Android Auto sem fio. Câmeras 540° com visualização do solo sob o veículo. Assistente de voz nativo e pacote completo de ADAS (frenagem autônoma, alerta de tráfego cruzado, cruzeiro adaptativo).
Cerca de 80% das superfícies de toque recebem couro Nappa, suede ou aplicações metálicas. O desenho do painel remete às montanhas do Himalaia — escolha estética que divide opiniões, mas reforça o posicionamento premium.
Garantia agressiva e o alvo direto
A Jetour oferece sete anos ou 200.000 km de garantia total. Bateria de alta tensão e motores elétricos contam com oito anos, mesmo limite quilométrico. É a melhor cobertura do segmento no país atualmente.
O rival declarado é o Denza B5 (BYD), outro PHEV 4×4 de luxo. O G700 contra-ataca com dimensões maiores, terceira fileira opcional e potência superior. Também mira clientes do GWM Wey 07, embora este tenha viés mais urbano.
O que observar nos próximos meses
As primeiras unidades chegam às concessionárias em 14 de novembro. O teste real será a aceitação de um público que paga meio milhão de reais por uma marca com menos de dois anos de Brasil. A rede de assistência, hoje concentrada em grandes centros, precisará acompanhar a expansão geográfica das vendas.
Outro ponto: a desvalorização. Chineses premium historicamente sofrem no revenda. Se a Jetour mantiver volume e pós-venda consistentes, o G700 pode se tornar referência de custo-benefício no nicho. Caso contrário, virará caso de estudo sobre ambição mal calibrada. Acompanhe os emplacamentos de dezembro — eles ditarão o ritmo de 2025.
