O dólar saltou 0,76% e fechou a R$ 5,387, enquanto o Ibovespa derreteu 1,06% e perdeu os 170 mil pontos pela quarta sessão seguida. Por trás dos números, um alerta silencioso sobre a sustentabilidade fiscal brasileira.
O movimento não foi isolado. A moeda americana ganhou força global após dados dos EUA mostrarem economia mais aquecida que o previsto — e isso muda tudo para quem investe no Brasil.
O que moveu o câmbio hoje
O PIB americano cresceu 3,4% no terceiro trimestre, superando a projeção de 3,2% da Reuters. O consumo subiu 0,5% em setembro. O núcleo do PCE, inflação preferida do Fed, avançou 0,3% no mês, dentro do esperado.
Resultado: juros altos por mais tempo nos EUA. O dólar subiu contra pesos mexicano e chileno, rand sul-africano e, claro, o real. Às 15h30, a moeda tocou R$ 5,43 — alta intradiária de 1,56%.
O fantasma fiscal que assombra o Ibovespa
Enquanto o exterior pressionava, o Banco Central divulgou que a dívida bruta do setor público atingiu 82,9% do PIB em setembro. A líquida subiu a 70%, contra 69,3% em agosto. O déficit primário somou R$ 5,5 bilhões no mês.
O mercado lê esses números como prova de que o ajuste fiscal prometido segue no papel. A incerteza sobre a composição da nova equipe econômica amplia o prêmio de risco.
- Dólar comercial: R$ 5,387 (+0,76%)
- Ibovespa: 169.186 pontos (-1,06%)
- Dívida bruta/PIB: 82,9% (setembro)
- Dívida líquida/PIB: 70% (alta de 0,7 p.p.)
Tecnologia derruba Nova York — e respinga aqui
O S&P 500 caiu 0,3% puxado por big techs. Resultados da Alphabet revelaram custos explosivos com infraestrutura de inteligência artificial, assustando investidores globais. O setor de tecnologia no Brasil acompanhou o movimento, ampliando as perdas do índice.
Mas o efeito mais relevante aparece na curva de juros futura. Com dólar acima de R$ 5,35 e fiscal deteriorado, a precificação de Selic terminal sobe — o que derruba valuations de empresas alavancadas e sensíveis a crédito.
Cenários para as próximas semanas
Três variáveis ditam o rumo: anúncio da equipe econômica (nomes e autonomia), trajetória da dívida/PIB nos próximos relatórios do BC e decisão do Fed em novembro. Se o fiscal não der sinal claro de reversão, R$ 5,50 deixa de ser teto e vira piso.
Para quem opera real, a liquidez cambial segue alta — o BC tem US$ 350 bi em reservas. Mas reserva não substitui credibilidade. O prêmio de risco embutido no câmbio hoje já precifica desconfiança, não apenas juros externos.
O que observar daqui pra frente
Fique atento ao Relatório Fiscal de novembro e à PLDO 2025. Qualquer meta de primário frouxa ou pedalada contábil fará o dólar testar R$ 5,45 com volume. Do lado externo, o payroll de sexta-feira e o CPI da semana que vem definem se o Fed pausa ou sobe mais. Enquanto isso, posição vendida em real segue lotada — e posições lotadas viram combustível para squeezes violentos.
