Rodrigo e Rogério Nogueira não apenas dominaram o octógono — construíram uma rede de academias que fatura alto e serve de modelo para empreendedores. A transição do tatame para a gestão revela lições que valem ouro.
Tudo começou com uma dor real: atletas de alto rendimento sem estrutura adequada no Brasil. Hoje, a Team Nogueira tem dezenas de unidades e expandiu para além do nicho de luta.
Da lenda do MMA ao CNPJ profissional
Minotauro e Minotouro poderiam ter vivido só de patrocínios e seminários. Escolheram o caminho mais difícil: criar um negócio escalável, com processos, franqueados e governança.
O primeiro passo foi contratar gestores de mercado, não apenas técnicos de jiu-jítsu. A dupla entendeu cedo que academia não é dojo — é empresa de serviço recorrente.
Resultado: padronização de aulas, CRM próprio, captação via digital e retenção acima da média do setor.
O modelo que quebrou a sazonalidade
Academias tradicionais sofrem em janeiro e dezembro. A Team Nogueira resolveu isso com grade híbrida: lutas pela manhã, funcional à tarde, yoga à noite. Público feminino e +40 anos passaram a representar 40% da base.
Outro diferencial: programa kids estruturado, não “recreação”. Pais matriculam filhos o ano todo, não só nas férias.
- Ticket médio: R$ 189/mês (acima da média nacional)
- Churn mensal: abaixo de 3%
- Unidades próprias + franqueadas: 32 em operação
Franquia: expansão sem perder a alma
O salto para franchising veio só após 3 anos de piloto. Cada franqueado passa por imersão de 30 dias na unidade-matriz — vive a cultura, não só lê o manual.
Taxa de franquia: R$ 90 mil. Royalties: 6% do faturamento bruto. Payback projetado: 18 a 24 meses.
Mas o segredo não está no contrato. Está no suporte contínuo: marketing centralizado, compras conjuntas de equipamentos, universidade corporativa para instrutores.
Tecnologia como aliada, não enfeite
App próprio controla agenda, progressão de faixa, frequência e pagamentos. Dados alimentam dashboard em tempo real para cada franqueado e para a holding.
Automação de régua de cobrança reduziu inadimplência a 1,2%. Push de “volta aos treinos” reativa 22% dos inativos no primeiro mês.
O que observar daqui pra frente
A rede testa formato “express” em shoppings — 150 m², só aulas de 30 minutos, foco em executivos. Se der certo, abre 100 pontos em 3 anos.
Outro movimento: licenciamento da metodologia para hotéis e condomínios de alto padrão. Receita recorrente sem CAPEX pesado.
Para quem empreende, a lição fica clara: lendas do esporte viram cases de negócio quando tratam a operação com a mesma disciplina dos treinos. O octógono ensinou; o CNPJ executou.
