Economia

A Nova República fracassou no Lula 4: o alerta duro que todo investidor precisa ler

Murillo de Aragão alerta sobre fracasso da Nova República em jantar com empresários
CEO da Arko Advice diagnostica fim do modelo político atual e aponta oportunidades para investidores.

Murillo de Aragão, CEO da Arko Advice, foi direto ao ponto durante jantar com empresários em São Paulo: a Nova República fracassou e continuará fracassando em um eventual quarto mandato de Lula. A frase ecoa como um diagnóstico terminal para o modelo político atual, mas esconde uma janela de oportunidade para quem souber ler o cenário real.

Não é pessimismo gratuito. É uma equação fria que mistura deterioração institucional, fragilidade fiscal e um Congresso que cobra caro cada voto. O que separa o colapso da recuperação? A resposta muda a forma como você deve posicionar seu capital nos próximos meses.

O fiscal não perdoa: credibilidade vale mais que corte imediato

Para Aragão, o desafio central não é fechar a conta amanhã, mas provar que existe uma trajetória crível de ajuste. O investidor compra tendência, não mágica. “Não precisa realizar todos os cortes amanhã; ele precisa mostrar que quer fazer esses cortes”, resumiu o executivo.

Enquanto o sinal não vem, o custo sobe. Juros altos, crédito caro e fuga de decisão de investimento viram a nova normalidade. O consultou relatou ter ouvido de clientes planos concretos de transferir operações para o Paraguai — um sintoma grave de que a insegurança jurídica já bate na porta das empresas.

A conta do Centrão: por que a base aliada é uma ilusão

Muita gente aposta na “habilidade política” de Lula para aprovar o que quer. Aragão discorda. O Congresso atual é fragmentado e o Centrão tem agenda própria, não do Planalto. A “teoria do custo político” que ele defende exige três variáveis simultâneas: credibilidade, agenda simples e popularidade.

Hoje, as três estão em baixa. Resultado: reformas estruturais não estão garantidas. Cada votação vira leilão, elevando o preço da governabilidade a níveis que o Orçamento não comporta sem estourar a meta fiscal.

  • Credibilidade: em reconstrução lenta, dependente de sinais claros do Executivo.
  • Agenda simples: inexistente; a pauta é complexa e técnica (reforma tributária, arcabouço).
  • Popularidade: oscilante, insuficiente para forçar o Congresso sozinha.

Degradação institucional: o inimigo invisível do valuation

“Eu nunca vi um grau de degradação institucional tão grande”, afirmou Aragão, que acompanha a política há décadas. O fortalecimento do Judiciário, a judicialização da política e a politização das cortes criaram um sistema de vetos cruzados. Ninguém decide sozinho, mas todos podem travar tudo.

Para o bolso do investidor, isso significa imprevisibilidade. Casos recentes — do setor de apostas às idas e vindas sobre o Pix — funcionam como sinais de alerta: a regra do jogo pode mudar na canetada de um gabinete, não no plenário. Segurança jurídica, ativo mais valioso para capital de longo prazo, virou artigo de luxo.

Empresariado: deixe a arquibancada e vá para o jogo

A crítica mais contundente sobrou para as lideranças empresariais. Criticar em eventos fechados em São Paulo não move a agulha. “Vamos falar com o Fachin”, provocou Aragão, defendendo interlocução direta com os Poderes — sem partidarismo, focada em políticas de Estado.

Se as elites econômicas terceirizam a solução dos problemas estruturais para o mundo político, o resultado é o que estamos vendo. A participação ativa na pauta institucional não é ativismo; é gestão de risco.

O que observar daqui para frente: a recompensa de quem leu até aqui

Apesar do tom severo, Aragão não é pessimista com o Brasil. O país tem recursos, mercado interno e oportunidades que impedem uma leitura catastrófica. O ponto de virada não virá de uma grande reforma, mas da combinação de três movimentos silenciosos:

  1. Sinalização fiscal consistente (mesmo que gradual) nas próximas reuniões do Copom e relatórios bimestrais;
  2. Desfecho da transição da reforma tributária sem judicialização em massa;
  3. Iniciativa do setor privado em pautar a agenda de competitividade nos gabinetes de Brasília.

Se esses três pilares avançarem, o “fracasso da Nova República” vira apenas ruído de fundo. Se travarem, a conta chega na forma de dólar alto, juros reais elevados e encolhimento do PIB potencial. A bola está no campo da credibilidade — e o relógio não para.