Saúde

Rafael Brandão abandona o Open e choca o fisiculturismo: a aposta arriscada no Classic

Rafael Brandão em pose de fisiculturismo, transição da categoria Open para Classic Physique
Rafael Brandão anuncia mudança radical do Open para a Classic Physique, exigindo perda de 15 kg.

O fisiculturista Rafael Brandão confirmou nesta terça-feira (27) a troca da categoria Men’s Open Bodybuilding pela Classic Physique, divisão liderada atualmente por nomes como Ramon Dino. Em vídeo no YouTube, o atleta paulista afirmou que a mudança visa explorar seu “potencial máximo”, apostando em simetria e proporção em vez de massa bruta.

A decisão exige uma transformação radical no físico do competidor: ele precisará eliminar mais de 15 kg para se encaixar nos limites de peso da nova classe. O movimento pegou o meio de surpresa, especialmente após uma pausa anunciada em maio para um off-season de ganho de tamanho.

O cálculo matemático por trás da mudança

Com 1,80 m de altura, Brandão se encaixa na faixa de peso máximo de 99,3 kg na Classic Physique — o teto sobe para 103 kg apenas para atletas acima de 1,803 m. Nos últimos torneios da categoria Open, ele subiu ao palco beirando os 115 kg.

Isso significa um corte agressivo de tecido muscular e gordura, algo que vai contra a lógica do “conjunto novo e maior” planejada meses atrás. O preparador Marcelo Alfonsi, responsável pela periodização do atleta, terá de redesenhar completamente a estratégia nutricional e de treino.

O gatilho: resultado abaixo do esperado em Pittsburgh

A virada de chave aconteceu logo após o Pittsburgh Pro, onde Brandão terminou em sexto lugar. O detalhe crucial: ele foi superado por quatro rivais que já havia derrotado em confrontos diretos anteriores, como Brandon Curry e Michal Križo.

Antes desse tropeço, a temporada vinha sólida: top 3 no New York Pro e top 6 no Arnold Classic Ohio. A queda de rendimento em um único show acendeu o alerta para a competitividade extrema da divisão aberta, onde a massa muscular tornou-se fator quase exclusivo de desempate.

O que muda na prática para a carreira do atleta

  • Estética sobre volume: Julgamento prioriza linhas clássicas, cinturina fina e vácuo abdominal.
  • Longevidade: Menos peso corporal reduz desgaste articular e carga cardiovascular.
  • Concorrência direta: Enfrentará Ramon Dino, atual vice-campeão do Olympia, e a nova geração europeia (Niall Darwen, Mike Sommerfeld).
  • Janela curta: O corte de 15+ kg precisa acontecer sem sacrificar densidade muscular — erro comum em transições mal planejadas.

Historicamente, poucos atletas fazem o caminho inverso (Open para Classic) com sucesso no alto nível. A adaptação metabólica costuma cobrar seu preço nos primeiros dois anos.

Próximos passos: o que observar daqui para frente

Brandão não divulgou data de estreia na nova categoria. O calendário natural aponta para o primeiro semestre de 2025, tempo mínimo para uma redução de peso saudável e manutenção de tecido magro. O mercado já especula se ele buscará vaga direta no Mr. Olympia via convite ou se passará pelo crivo dos qualifiers.

Para investidores e patrocinadores do setor, a troca representa risco e oportunidade: a Classic Physique cresce em audiência e apelo comercial no Brasil, impulsionada pelo fenômeno Ramon Dino. Se Brandão chegar competitivo, torna-se ativo valioso para marcas que buscam identificação com o público “estética clássica”.

O segredo agora está na execução do off-season invertido: secar sem “achatar”. Quem acompanha o esporte sabe que a balança não mente — mas o espelho, às vezes, trai.