Economia

Webmotors fecha compra de R$ 1,1 bi e mexe no tabuleiro dos usados

Logos da Webmotors e Auto Avaliar sobre fundo de carros usados, simbolizando aquisição de R$ 1,1 bi
Webmotors adquire 51% da Auto Avaliar por R$ 1,1 bilhão e fortalece posição no mercado de usados

A Webmotors, controlada pela australiana Carsales e pelo Santander, acaba de adquirir 51% da Auto Avaliar por R$ 1,1 bilhão. A plataforma de usados pertencia à Stellantis e negocia 1,5 milhão de veículos desde 2012. O movimento redefine o peso da empresa no mercado secundário.

O negócio coloca a Webmotors dona da origem do estoque — algo que, até ontem, era seu maior gargalo. Mas a fatia restante nas mãos da montadora abre um capítulo que ainda não está escrito.

Por que a Auto Avaliar vale tanto

A Auto Avaliar nasceu em 2012 como braço de seminovos da então FCA, hoje Stellantis. A plataforma conecta concessionárias a compradores finais e frotistas, funcionando como uma esteira de recompra e revenda. Em pouco mais de uma década, processou 1,5 milhão de unidades.

Esse volume entrega duas coisas raras: previsibilidade de oferta e dados de precificação em tempo real. Para a Webmotors, que sempre dependeu de anúncios de terceiros, controlar a fonte muda a equação de margem e velocidade.

O que muda para o lojista e o consumidor

  • Estoque mais fluido: a integração promete reduzir o tempo entre a recompra na concessionária e a publicação no portal.
  • Precificação mais agressiva: com dados próprios de transação, a Webmotors pode calibrar ofertas sem depender de tabelas de mercado defasadas.
  • Financiamento embarcado: o Santander, sócio controlador, ganha canal direto para originar crédito no ponto de venda.

O UBS BB e o Pinheiro Neto assessoraram a compradora. A Stellantis coordenou a transição operacional. Nenhuma das partes comentou oficialmente até o fechamento.

O detalhe que ninguém destaca: os 49% restantes

A Stellantis manteve quase metade da empresa. Na prática, a montadora continua ditando o ritmo de entrada de veículos de fim de contrato, frotas corporativas e recompra de seminovos da rede autorizada.

Isso cria uma dinâmica de governança atípica: a Webmotors opera a plataforma, mas a fonte principal de ativos segue sob influência direta de um player que também compete por atenção do consumidor final.

Cenários para os próximos trimestres

Se a integração tecnológica entregar o prometido, a Webmotors pode ampliar a fatia de mercado em financiamento de usados — hoje concentrada nos grandes bancos de montadora. O risco está na dependência de um único fornecedor estratégico que, a qualquer momento, pode redirecionar volume para canais próprios.

O mercado deve observar três sinais: velocidade de listagem do estoque Stellantis no portal, taxa de conversão de leads em financiamento Santander e eventuais movimentos de outras montadoras para replicar o modelo ou blindar seus ativos.

Quem acompanha o setor sabe: controle de estoque sempre foi o “segredo” por trás das maiores valorizações. A Webmotors acaba de pagar a conta para ter a chave.