Quatro municípios fluminenses registraram uma disputa voto a voto no segundo turno de 2022, com margens inferiores a cem sufrágios separando Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL). O dado, extraído do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revela um racha eleitoral que vai muito além das grandes capitais.
Em Vassouras, a diferença foi de apenas 61 votos. Mas o que esse equilíbrio extremo diz sobre a polarização no interior do estado? A resposta passa por números que desafiam a lógica das pesquisas tradicionais.
O mapa do empate técnico no interior fluminense
Vassouras lidera o ranking de proximidade: o então presidente Jair Bolsonaro obteve 11.247 votos contra 11.186 de Lula. A vantagem de 61 sufrágios representa menos de 0,3% do total válido na cidade. Logo atrás, Trajano de Moraes inverteu o vencedor: Lula venceu por 64 votos (3.570 a 3.506).
Os outros dois municípios completam o quadro de instabilidade:
- Macuco: Bolsonaro 2.915 x Lula 2.833 (diferença de 82 votos);
- Santa Maria Madalena: Lula 3.367 x Bolsonaro 3.278 (diferença de 89 votos).
Em todos os casos, a margem é estatisticamente irrelevante. Qualquer variação climática, fila na seção ou erro de digitação alteraria o vencedor local.
O cenário nacional: quando um voto define o resultado
O fenômeno não se restringiu ao Rio. No município paranaense de Marquinho, com cerca de 5 mil habitantes, ocorreu um evento raro: empate perfeito. Cada candidato recebeu exatamente 1.530 votos.
Em outras cinco cidades brasileiras, a balança pendeu para um lado por um único sufrágio. Lula levou Apiacá (ES), Altamira do Paraná (PR) e São João do Pau D’Alho (SP) por margem unitária. Bolsonaro venceu em Anhanguera (GO) e Nova Luzitânia (SP) pela mesma diferença mínima.
Comparecimento em alta mascara a fragmentação
Paralelamente, o estado registrou queda na abstenção. Foram 217 mil eleitores a mais nas urnas no segundo turno frente à primeira etapa. O comparecimento maior, contudo, não reduziu a fragmentação; apenas expandiu o universo onde essas micro-disputas ocorrem.
Para analistas de risco político e strategists de campanhas futuras, esses bolsões de indecisão são o termômetro mais sensível do eleitorado. Não há “voto de cabresto” nem curral eleitoral garantido nessas coordenadas.
O que observar nas próximas disputas municipais
O padrão sugere que as eleições municipais de 2024 nessas localidades tenderão a ser decididas na base da mobilização de última hora e logística de transporte de eleitores. A diferença entre vencer e perder reside em dezenas de domicílios.
Profissionais que monitoram o humor do eleitorado médio devem tratar essas quatro cidades fluminenses como “swing towns” permanentes. Qualquer estratégia que ignore a volatilidade de Vassouras, Trajano de Moraes, Macuco e Santa Maria Madalena opera no escuro.
