Justiça

50 urnas trocadas no 2º turno na Paraíba: o que os números escondem sobre a votação

Urna eletrônica sendo substituída por mesário em local de votação na Paraíba durante segundo turno 2026
Substituição de urnas eletrônicas no 2º turno das Eleições 2026 na Paraíba: 50 equipamentos trocados, 25% a menos que no 1º turno.

No segundo turno das Eleições Gerais de 2026, realizados neste domingo (25), a Paraíba registrou a substituição de 50 urnas eletrônicas — uma queda de 25% em relação às 67 trocas do primeiro turno. O dado parece técnico, mas revela um padrão geográfico que merece atenção de quem acompanha a logística eleitoral de perto.

Duas ocorrências graves marcaram o pleito nos municípios de Puxinanã e Campina Grande, ambos no Agreste. Em ambos os casos, os equipamentos foram retirados após a constatação de teclas travadas, o que configura violação de urna. O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) confirmou os episódios, mas ainda não divulgou a causa raiz da maioria das substituições.

O peso de João Pessoa no mapa das trocas

A capital concentrou a maior parte das substituições. Segundo a assessoria do TRE-PB, as urnas alocadas em João Pessoa já estavam no radar do órgão por serem modelos mais antigos, fabricados em 2013. A estratégia foi deliberada: posicionar equipamentos de geração anterior nos maiores colégios eleitorais justamente para agilizar a troca caso surgisse qualquer falha.

Essa decisão logística explica, em parte, o volume de substituições na região metropolitana. Mas também levanta uma questão: até que ponto a idade do parque tecnológico influencia a confiabilidade percebida pelo eleitor?

Os números em perspectiva

As 50 urnas substituídas representam 0,47% do total de equipamentos utilizados no estado. Para efeito de comparação, veja o recorte por turno:

  • 1º turno: 67 urnas substituídas
  • 2º turno: 50 urnas substituídas
  • Redução: 25,3% a menos
  • Percentual sobre o parque total: 0,47%

A queda entre os turnos sugere que os procedimentos de contingência funcionaram, mas não elimina a necessidade de auditoria sobre os modelos de 2013 ainda em operação.

Violação de urnas: o que muda na prática

Os casos de Puxinanã e Campina Grande ganham contorno mais sério. Teclas coladas não são falha aleatória — indicam intervenção física no equipamento. O TRE-PB tratou as ocorrências como violação, o que aciona protocolos de segurança distintos da simples substituição por defeito técnico.

Mas o efeito mais relevante aparece na confiança do processo. Quando a violação ocorre em cidades-polo do Agreste, a repercussão regional amplifica dúvidas que vão além do incidente isolado.

O que observar daqui pra frente

O parque de urnas de 2013 atinge, em 2026, treze anos de uso. O TSE prevê ciclos de vida de dez a doze anos para os equipamentos. A concentração proposital desses modelos em João Pessoa funcionou como teste de estresse real: a taxa de 0,47% de substituição está dentro da margem técnica, mas a dependência de equipamentos no limite de vida útil não é sustentável por muitos ciclos eleitorais.

Para empresários e gestores públicos que financiam ou fiscalizam a infraestrutura eleitoral, o sinal está dado: a renovação do parque tecnológico deixará de ser opção logística para virar exigência de segurança. O próximo relatório de auditoria do TRE-PB, esperado para as próximas semanas, deve detalhar se as falhas foram pontuais ou indicam desgaste sistêmico dos modelos antigos.