Internacional

Último dia de campanha: Lula e Flávio lotam ruas em ato decisivo antes do 2º turno

Multidões em atos de campanha de Lula e Bolsonaro no Rio, São Paulo e Belo Horizonte
Último dia de campanha: apoiadores lotam ruas em atos decisivos de Lula e Bolsonaro antes do 2º turno.

Os dois candidatos à Presidência ocuparam as ruas de três estados neste sábado (24), no encerramento oficial da corrida pelo Palácio do Planalto. Multidões distinctas tomaram a Barra da Tijuca, Copacabana, a Avenida Paulista e Belo Horizonte em eventos que testam a força de cada campanha a 48 horas da votação. O que essas imagens revelam sobre o humor do eleitorado indeciso?

Os atos serviram como termômetro final de mobilização. De um lado, o atual presidente buscou consolidar a narrativa de defesa das instituições; do outro, o senador apostou na insatisfação econômica e no discurso de “mudança”. Ambos evitaram propostas concretas nos palanques, focando em simbolismos e ataques mútuos.

O roteiro do candidato da oposição: três estados, uma narrativa

Flávio Bolsonaro (PL) começou o dia em Belo Horizonte, numa motocarreata ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Sem discursar, o senador percorreu o trajeto sobre um trio elétrico e, nas redes sociais, mirou nos indecisos: “O Brasil cansou de esperar”. A fala aponta para o eleitor que rejeita o atual governo, mas não se identifica plenamente com o bolsonarismo histórico.

À tarde, o ato na Barra da Tijuca reuniu famílias, motociclistas, lutadores de jiu-jitsu — a família Gracie foi saudada nominalmente — e bandeiras de Israel misturadas ao verde-amarelo. A caminhada de 1 km terminou no Condomínio Vivendas da Barra, residência da família Bolsonaro. Discurso curto, tom de vitória antecipada: “Os próximos anos serão de felicidade, prosperidade, liberdade e vitória”.

  • Presenças de peso: Tarcísio Freitas, Nikolas Ferreira, Sóstenes Cavalcante, Douglas Ruas (governador eleito do RJ)
  • Símbolos: Camisas da seleção, faixas “Fora Lula”, Hino Nacional cantado em coro
  • Ausência notável: Jair Bolsonaro (inelegível) não compareceu a nenhum ato

A resposta do Palácio do Planalto: Copacabana e Paulista

Lula (PT) concentrou forças no Rio e em São Paulo. Em Copacabana, caminhada matinal com Janja, ministros, o prefeito Eduardo Cavaliere e o ex-prefeito Eduardo Paes. O presidente classificou a campanha adversária como “a de mais baixo nível possível” em sua trajetória — citando Ulysses, Brizola, Covas, FHC, Serra e Maluf como referências de disputas passadas.

O momento mais tenso veio ao evocar o caso Ana Clara, menina de 5 anos morta por tiro de fuzil de um PM em Niterói (2021). Flávio Bolsonaro defendeu o policial. Lula direcionou o apelo ao eleitorado feminino: “Cada mulher que sentiu a dor daquela mãe… não pode votar no miliciano”. A fala mira o gap de gênero nas pesquisas, onde o presidente lidera entre mulheres.

Encerramento na Avenida Paulista, à tarde. Paralelo explícito com 1989: “Possivelmente só tenha tido similar no segundo turno de 89”. A comparação busca resgatar a épica da virada histórica contra Collor, sugerindo que a mobilização de rua antecipa resultado diferente das pesquisas.

O que os números não mostram nas ruas

Nenhum dos dois atos teve estimativa oficial de público. A Agência Brasil registrou “multidões” em todos os locais, mas a ausência de metodologia única impede comparação. O que se observa é a geografia: Flávio priorizou redutos bolsonaristas (Barra, BH), enquanto Lula buscou símbolos nacionais (Copacabana, Paulista) — territórios onde o PT historicamente tem capilaridade, mas que em 2022 deram vitória a Bolsonaro.

Outro dado relevante: ambos os candidatos usaram trios elétricos e percursos de cerca de 1 km. A logística espelha a disputa por imagens de TV e redes sociais, mais do que pela conversão de votos in loco. O eleitor presente já está decidido; o alvo é o telespectador.

O que observar nas próximas 48 horas

O TSE emite a zerésima das urnas neste domingo (25) — procedimento técnico que atesta a integridade do sistema antes da votação. Qualquer ruído nesse processo será amplificado pelas campanhas. Simultaneamente, a Justiça Eleitoral proibiu uma rede de supermercados de praticar assédio eleitoral; decisões semelhantes podem surgir no varejo e na indústria até domingo.

Para o empresário e investidor, o sinal prático é: a volatilidade cambial e na curva de juros deve persistir até a apuração. O discurso de Flávio sobre “retomada de privatizações” e o de Lula sobre “fortalecer empresas estatais” seguem irreconciliáveis. O mercado precificará o vencedor a partir das 19h de domingo, mas a transição — ou a continuidade — só começa a desenhar-se na segunda-feira (26), com os primeiros sinais de composição ministerial e agenda legislativa.

A eleição acaba domingo. A governabilidade, essa, começa na segunda.