Altair Vilar, CEO da Cartão de Todos, anunciou que a empresa adotará a jornada de 40 horas semanais para todos os 30 mil funcionários CLT a partir de janeiro de 2027 — quase um ano antes do prazo legal. A decisão coloca a companhia na vanguarda de uma transformação que atinge diretamente a gestão de pessoas e o caixa de negócios de todos os portes.
O que muda na prática a partir de dezembro
O Senado aprovou o fim da escala 6×1 em 16 de outubro. A lei dá 60 dias — até 16 de dezembro — para que empregadores adequem contratos atuais, garantindo dois descansos semanais (um preferencialmente aos domingos) e teto de 42 horas. Em dezembro de 2027, o limite cai para 40 horas.
Vilar considera o cronograma oficial frouxo. “14 meses é muito tempo [para implantar a nova regra]”, escreveu em carta aberta. O plano da Cartão de Todos pula a etapa das 42 horas e vai direto ao modelo final.
Quem é o empresário por trás da medida
Altair Vilar não é um executivo de gabinete. Começou como metalúrgico, presidiu o sindicato da categoria em Ipatinga (MG) e construiu um grupo que fatura com cartões de benefícios, saúde, educação e lazer. Em 2022, foi o maior doador pessoa física da campanha presidencial de Lula (PT), com R$ 600 mil declarados ao TSE. Neste ano, não fez aportes eleitorais e só se manifestou publicamente sobre a escala 6×1 após a aprovação no Congresso.
Como a Cartão de Todos opera hoje
- 30 mil colaboradores CLT distribuídos em franquias pelo país;
- Modelo de assinatura que dá acesso a consultas, exames, odontologia, farmácias e cashback;
- Expansão para saúde animal com a marca Pet de Todos;
- Parte do Grupo Cartão de Todos Internacional.
Sucessão e cronograma interno
A transição da jornada coincide com a troca de comando. Em janeiro, o filho mais velho, Tales Vilar, atual vice-presidente, assume a cadeira de CEO. A mudança de liderança e a nova regra trabalhista entram em vigor no mesmo mês, o que exigirá sincronia entre RH, operações e franqueados.
Impacto no caixa e na produtividade
Antecipar a jornada de 40 horas eleva o custo unitário de mão de obra — menos horas por funcionário exigem mais contratações ou ganhos de eficiência. Para redes de franquias, o repasse desse custo ao franqueado costuma ser o ponto de atrito. A empresa não divulgou projeções financeiras, mas o mercado acompanha se o ganho de retenção e engajamento compensará a despesa extra.
O que observar nos próximos meses
Até 16 de dezembro, todas as empresas que mantinham escala 6×1 precisam apresentar as novas escalas. A Cartão de Todos será teste de estresse para um setor que costuma resistir a reduções de jornada. Se a transição ocorrer sem ruptura operacional, o caso vira referência para varejo, serviços e franchising. Se houver aumento de turnover ou queda de cobertura nas unidades, a narrativa muda. O sinal virá dos números do primeiro trimestre de 2027.
