Economia

Eleições 2026 no DF: o que está em jogo no segundo turno e por que o mercado acompanha de perto

Eleitor vota em urna eletrônica no segundo turno das eleições 2026 no Distrito Federal
Eleitor exerce o voto no segundo turno que define o governador do DF e a presidência da República

O Distrito Federal define neste domingo seu próximo governador em uma disputa que pode sinalizar os rumos da maior economia do Centro-Oeste. Celina Leão (PP) e Leandro Grass chegam ao segundo turno com propostas divergentes para a gestão de um orçamento que supera R$ 60 bilhões anuais. A votação coincide com a escolha do presidente da República, ampliando o peso político da capital federal.

O esquema de segurança mobiliza 5,2 mil policiais militares — 15% a mais que no primeiro turno — com foco em 1.200 locais de votação. O Tribunal Regional Eleitoral confirmou que não haverá restrição à venda de bebidas alcoólicas, mantendo a regra adotada em 2 de outubro. Para investidores, a ausência de “Lei Seca” indica aposta das autoridades na normalidade do processo.

Duas visões para a máquina pública

Celina Leão, vice-governadora na chapa reeleita em 2022, defende continuidade na gestão fiscal que manteve o DF com nota A na Capacidade de Pagamento (Capag) do Tesouro Nacional. Seu plano prevê expansão do programa “DF Livre de Carência” na saúde e aceleração de parcerias público-privadas em mobilidade. A candidata conta com apoio de 11 dos 24 deputados distritais.

Leandro Grass, deputado distrital licenciado, propõe revisão de incentivos fiscais concedidos a grandes empresas — estimados em R$ 3,8 bilhões ao ano — para financiar expansão do transporte público e creches noturnas. Sua campanha destaca a criação de um fundo de estabilização orçamentária para reduzir dependência de transferências da União, que hoje respondem por 18% da receita corrente.

O fator presidencial e a governabilidade

O segundo turno no DF espelha a polarização nacional. A candidata do PP alinha-se ao campo de centro-direita, enquanto Grass recebe apoio formal do PT e de legendas de esquerda. Historicamente, o governador eleito no DF tem influência direta na composição da bancada federal — três senadores e oito deputados — o que pesa em votações de reformas tributárias e arcabouço fiscal.

  • Orçamento 2025: R$ 62,3 bi projetados — maior que o de 14 estados
  • Dívida consolidada: R$ 8,1 bi (jun/2024), 13% da receita líquida
  • Investimento próprio: 9,2% da receita corrente líquida (meta LRF: 12%)

Analistas de risco político observam que a margem de vitória definirá o capital político do vencedor. Diferença inferior a 3 pontos percentuais tende a exigir coalizões amplas na Câmara Legislativa, retardando aprovação de projetos estruturantes.

Logística inédita para brasileiros no exterior

Pela primeira vez, o TRE-DF coordenou diretamente a preparação de 84 urnas eletrônicas enviadas a 12 países — Estados Unidos, Portugal e Japão concentram 62% dos 12,3 mil eleitores cadastrados fora do Brasil. O processo envolveu lacração com assinatura digital de fiscais de ambos os candidatos, transmissão de dados por rede privativa do Serpro e auditoria em tempo real. A expectativa é de que 78% desses votos sejam totalizados até as 20h de domingo.

O recado institucional da CNBB

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil divulgou nota convocando católicos a “votar com consciência” e respeitar “o veredicto das urnas como expressão da soberania popular”. O documento, assinado pelo presidente dom Jaime Spengler, menciona explicitamente “os pobres, os ameaçados e os que trabalham pela Justiça”. Entidades empresariais leram o texto como sinal de que a Igreja atuará como fiadora da estabilidade pós-eleitoral, independentemente do vencedor.

O que observar a partir de segunda-feira

Três indicadores dirão se a transição será suave: (1) nomeação da equipe de transição até quarta-feira; (2) posicionamento dos deputados distritais não alinhados automaticamente; (3) reação dos mercados à primeira entrevista coletiva do governador eleito. O DI futuro para janeiro de 2027 já precifica prêmio de risco de 45 pontos-base sobre a curva nacional — sinal de que a incerteza política local ainda pesa nos ativos.

Para quem decide alocação de capital no Centro-Oeste, a mensagem é clara: o resultado das urnas é apenas o começo. A capacidade de articulação do novo governador nos primeiros 90 dias ditará se o DF mantém a trajetória de solvência ou entra em ciclo de negociações parlamentares que travam investimentos.