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O que a Ferrari escondeu no assoalho e por que Bortoleto larga atrás

Ferrari SF-24 com novo assoalho aerodinâmico no treino livre em Austin, pilotado por Charles Leclerc
Novo assoalho da Ferrari domina primeiro treino em Austin enquanto Bortoleto larga atrás por decisão da Audi.

Charles Leclerc colocou a Ferrari no topo da tabela de tempos no primeiro treino livre em Austin, mas a vantagem de 84 milésimos sobre Max Verstappen conta apenas metade da história. O verdadeiro termômetro do fim de semana está no assoalho novo da Scuderia e na decisão da Audi que condena Gabriel Bortoleto ao fundo do grid antes mesmo da classificação.

A sessão desta sexta-feira (23) revelou uma ordem de forças volátil, onde atualizações técnicas pesam mais que talento puro — e onde o asfalto instável do Circuito das Américas pode embaralhar as cartas a qualquer momento.

A atualização que recolocou a Ferrari no jogo

A equipe italiana trouxe para o Texas sua maior evolução aerodinâmica desde o meio da temporada. Novo assoalho e difusor redesenhado focam na eficiência em curvas de média e alta velocidade, justamente o perfil predominante em Austin.

O resultado imediato: Leclerc e Lewis Hamilton andaram quatro décimos mais rápidos que a McLaren usando o mesmo composto médio. A diferença sugere que a Ferrari não apenas entendeu o conceito, mas extraiu performance real — algo que vinha escapando nas últimas etapas.

Mas a McLaren não mostrou todas as cartas. Lando Norris e Oscar Piastri priorizaram acerto de corrida e long runs, esperando que o ritmo de classificação apareça naturalmente quando a borracha entrar na janela ideal.

O dilema da Audi: performance hoje, penalidade amanhã

Gabriel Bortoleto foi a surpresa agradável da sessão. Oitavo colocado, o novato mostrou maturidade ao manter o carro consistentemente no top 10 com pneus duros e macios, validando as novidades aerodinâmicas da Audi.

O porém está no motor. Após a perda de potência em Singapura, a equipe trocou a unidade de potência do brasileiro. Pelo regulamento, isso significa largada do fundo do grid no domingo — um preço alto por confiabilidade.

O companheiro Nico Hulkenberg não teve a mesma sorte: reclamou do comportamento do motor durante toda a sessão e terminou apenas em 18º. A Audi ganha dados valiosos para 2025, mas sacrifica o resultado imediato de um dos lados da garagem.

Mercedes perdida e o fator “asfalto vivo”

George Russell (4º) e Kimi Antonelli (5º) mantiveram as Mercedes no pelotão da frente, mas ambos relataram falta de equilíbrio. A equipe ainda não recuperou o nível pré-atualização do Bahrein, e o título de construtores escorre entre os dedos.

Para completar, a pista impõe sua própria variável. O asfalto de Austin, construído sobre solo instável, apresenta ondulações que mudam de posição ano a ano. Pilotos relataram saltos violentos em trechos de alta, forçando ajustes de altura de suspensão que comprometem a aerodinâmica.

Quem acertar a “janela” do asfalto no sábado larga na frente — literalmente.

Classificação do TL1 — Top 10

  • 1º Charles Leclerc (Ferrari)
  • 2º Max Verstappen (Red Bull) +0.084s
  • 3º Lando Norris (McLaren)
  • 4º George Russell (Mercedes)
  • 5º Kimi Antonelli (Mercedes)
  • 6º Lewis Hamilton (Ferrari)
  • 7º Oscar Piastri (McLaren)
  • 8º Gabriel Bortoleto (Audi)
  • 9º Arvid Lindblad (Racing Bulls)
  • 10º Liam Lawson (Racing Bulls)

Williams e Alpine: apostas diferentes, mesmo bottom

A Williams (19º e 22º) usou a sessão exclusivamente para testar peças de 2025. Carlos Sainz e Alex Albon nem tentaram volta rápida — decisão estratégica para um time que já olha o próximo regulamento.

Já a Alpine (15º e 17º) não tem essa desculpa. Pierre Gasly e Franco Colapinto simplesmente não encontraram ritmo, ficando atrás até da Cadillac. A equipe francesa precisa de respostas urgentes se quiser sair do fundo do grid no campeonato de construtores.

O que observar nas próximas horas

A segunda sessão livre, às 18h (horário de Brasília), será decisiva para calibrar expectativas. Três pontos merecem atenção redobrada:

  • Degradação de pneus: Com asfalto abrasivo e curvas longas, o gerenciamento térmico ditará a estratégia de domingo.
  • Evolução da pista: A borracha depositada nas próximas horas pode beneficiar quem rodou pouco no TL1 — leia-se: McLaren e Red Bull.
  • Penalidades confirmadas: Além de Bortoleto, fique atento a possíveis trocas de componentes nas rivais diretas da Audi no meio do pelotão.
  • O fim de semana em Austin promete ser decidido nos detalhes: milímetros de assoalho, milésimos de volta e a coragem de arriscar acertos no limite do asfalto instável. Quem ler melhor esse xadrez técnico largará na frente — na pista e na tabela de pontos.