O Banco BV acaba de colocar no ar uma linha de planos de saúde para cães e gatos com mensalidades que começam em R$ 25,20. A jogada coloca um grande banco de varejo em disputa direta com operadoras especializadas num mercado que cresce dois dígitos ao ano. A pergunta que fica: vale a pena migrar o pet para a conta do banco?
A parceria foi fechada com a APet, healthtech que já opera rede própria de atendimento 24 horas. O BV entra como canal de distribuição e dono da relação com o cliente final — estratégia que já testou em seguros de celular e automóvel.
Três degraus de cobertura e o que cada um entrega
A grade é enxuta: Básico, Intermediário e Premium. Os preços variam entre R$ 25,20 e R$ 99,90 por mês, sem coparticipação declarada. Abaixo, o resumo prático para comparar na hora da decisão:
- Básico (R$ 25,20): consultas, ambulatorial, transporte ao veterinário, exames laboratoriais e de imagem, assistência funeral — tudo com limites por evento.
- Intermediário (R$ 59,90): tudo do Básico + cirurgias e internações.
- Premium (R$ 99,90): tudo do Intermediário + consulta com especialista e uma vacina por ano.
O detalhe que costuma escapar na leitura rápida: os limites por evento e por ano não são padronizados entre as modalidades. O contrato traz tetos distintos para cada tipo de procedimento, o que exige leitura atenta do regulamento antes de assinar.
Por que o BV entrou agora — e por que isso importa
O mercado de planos pet no Brasil saltou de 300 mil para mais de 1,2 milhão de contratos ativos nos últimos quatro anos, segundo dados de entidades do setor. A taxa de penetração ainda está abaixo de 5% da população de cães e gatos estimada pelo IBGE — ou seja, há espaço para escalar.
Para o banco, o produto funciona como porta de entrada: cliente que contrata o plano do pet passa a acessar o app com mais frequência, abre chance de cross-sell de cartão, consórcio e crédito pessoal. “A parceria reforça a estratégia de levar conveniência e proteção por meio de uma experiência simples de contratação”, resume Jamil Ganan, vice-presidente de Varejo do BV.
O lado da APet: capilaridade imediata
Do outro lado da mesa, a APet ganha distribuição nacional sem precisar abrir lojas ou investir em mídia de massa. “A iniciativa torna nossos planos mais acessíveis e disponíveis a um número crescente de tutores em todo o país”, diz Luiz Gênova, CEO da healthtech.
A empresa mantém a operação clínica: rede credenciada, central de regulação 24h e gestão de sinistros. O BV cuida da cobrança, onboarding e suporte transacional. Modelo de embedded insurance puro, semelhante ao que já roda em fintechs europeias.
O que observar antes de contratar
Três pontos práticos para colocar na planilha:
- Carência: verifique prazos para cirurgias, internações e especialistas — costumam variar entre 30 e 180 dias.
- Rede credenciada: confira se seu veterinário de confiança ou hospital de referência está na lista; fora da rede, o reembolso segue tabela própria.
- Reajuste anual: a apólice prevê atualização por índice de sinistralidade + IPCA, o que pode empurrar a mensalidade acima da inflação oficial.
O que vem por aí — e como se preparar
A entrada de um banco de grande porte acelera a commoditização do produto. Espera-se que, nos próximos 12 meses, outras instituições financeiras lancem ofertas semelhantes, pressionando preços e forçando clareza nas coberturas. Para o tutor, a melhor estratégia hoje é tratar o plano pet como qualquer seguro: comparar franquias, tetos e exclusões — não apenas o preço da mensalidade.
Fique atento à regulação da SUSEP para o segmento, que deve sair ainda este ano e pode padronizar definições de “doença preexistente” e regras de portabilidade. Quem ler o regulamento agora sai na frente na hora de renovar ou migrar.
