A equipe de transição de Cleitinho Azevedo (Republicanos) senta pela primeira vez com o governo Mateus Simões (PSD) nesta sexta-feira (23) para dissecar a saúde mineira. O encontro marca o início real da passagem de bastão após a vitória no primeiro turno com 55,40% dos votos. O que está em jogo não é apenas protocolo: define os primeiros 100 dias da gestão que assume em janeiro.
Até agora, o processo caminhou em velocidade reduzida. A reunião inaugural, em 6 de outubro, reuniu apenas o secretariado atual e chefes de segurança — sem a equipe do governador eleito. A partir de hoje, o calendário acelera: são 14 encontros temáticos até 23 de novembro, todos transmitidos ao vivo.
Quem comanda a operação do lado de Cleitinho
A coordenação está nas mãos do vice-governador eleito, Luís Eduardo Falcão (Republicanos). A equipe de 26 nomes anunciados até 13 de outubro mistura perfis técnicos, políticos de confiança e quadros de gestão pública. O grupo protocolou ofício cobrando dados financeiros detalhados: projeção das contas para 2027, folha de pagamento e situação de contratos vigentes.
- Gleidson Azevedo — irmão do governador eleito, deputado federal eleito e ex-prefeito de Divinópolis
- Gabriel Azevedo (MDB) — candidato derrotado ao governo nestas eleições
- Liana Portilho Mattos — procuradora do estado, ex-subsecretária de Ciência e Tecnologia no governo Anastasia
- Bruno Westin Prado Soares Leal — servidor do Tesouro Nacional, ex-secretário especial do Ministério da Economia no governo Bolsonaro
Predominam advogados, mas há representantes de comunicação, saúde, educação e cultura. Nenhum recebe remuneração e a participação não garante cargo no futuro governo.
O calendário que define o futuro da gestão
A saúde abre a temporada temática, mas o cronograma revela prioridades estratégicas. Infraestrutura e educação vêm na sequência imediata. Desenvolvimento econômico e segurança pública fecham outubro. Novembro traz meio ambiente, agropecuária, desenvolvimento social, cultura e turismo — até chegar ao núcleo duro: Fazenda, Planejamento e Gestão, nos dias 17, 18 e 19.
Essa ordem não é aleatória. Cada reunião produz relatórios que alimentarão o primeiro orçamento e os decretos iniciais da nova administração. Atrasos ou lacunas de informação agora viram gargalos operacionais em janeiro.
Por que a reunião de saúde carrega peso extra
Minas Gerais carrega histórico de subfinanciamento na rede hospitalar e tensões federativas na gestão de leitos. A equipe de transição precisa mapear: contratos de organizações sociais, passivos com fornecedores, fila de cirurgias eletivas e capacidade de expansão de atenção primária. Qualquer omissão nessa etapa ecoa na montagem do secretariado e na definição de prioridades do primeiro semestre.
Além disso, a presença de nomes como Liana Mattos e Bruno Leal sinaliza intenção de aplicar rigor técnico na análise dos números — não apenas diagnóstico político.
O que observar nas próximas semanas
Três indicadores dirão se a transição caminha bem: divulgação dos relatórios setoriais após cada reunião, velocidade na nomeação do secretariado titular e compatibilidade entre os dados recebidos e o discurso de campanha. O primeiro teste real vem com a reunião de Fazenda, em 17 de novembro — quando a situação fiscal real será exposta sem filtros.
Até lá, cada encontro transmitido funciona como vitrine de transparência e termômetro da relação entre os dois polos do poder mineiro. Quem acompanha de perto ganha antecipação sobre os rumos do segundo maior estado da federação.
